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Você vai dançar

Você vai dançar para exercer o seu direito. E para preservar o amor na pele

Você vai dançar
Foto: Kazuo Ota/Unsplash
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Você vai dançar para escorrer água da nuca e todo o peso do mundo será lavado. Você vai dançar e vai jogar as mãos para o alto alcançando o céu. Você vai dançar e vai endurecer as panturrilhas moldadas pelo movimento. Você vai dançar.

Para gastar o seu sapato, para derreter a sua pintura, para abrir as suas prisões. Para, enfim, sentir-se livre. Para ser, criar, amar. Para soltar todas as feras que aí dentro habitam. Você vai dançar para amolecer a sua cintura e suar os seus pentelhos.

Para chacoalhar o esqueleto e batucar o coração. Você vai pular, vai bater a mão no teto. Vai mexer, descer até o chão. Você vai dançar para encontrar a sua verdade. Para flertar com o paraíso. Para estar de peito aberto. Para encarar a solidão e enfrentar de frente o medo.

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E para o que de melhor em você já se revele. E para brincar coreografias do afeto. Acessar corpos selvagens e entrar em erupção. Para explosão de sentimentos. Para espalhar a alegria e melhor soltar risada. E fazer legal a lôca, ter para si o seu momento ou beijar geral na boca.

Para inventar uns passos tortos. Chamar dança da chuva e invocar mundo dos mortos. Você vai dançar para a celebração da vida mesmo, afirmação da existência. Para seu estado de presença fazer conexão com o universo. Para atravessar o tempo você vai dançar.

Você vai dançar. Você vai dançar para exercer o seu direito. E para preservar o amor na pele. Vai dançar para amolecer a sua carne e evaporar o que é tóxico. Você vai dançar para seu corpo emitir luz. E para se encontrar enfim pacífica você vai dançar.

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