Pular para o conteúdo

Discurso de formatura da turma Invictus Urubus

Grandes foram as lições que recebemos durante o aprendizado que ora nos confere o direito de pertencermos a esse exército de fiéis

Discurso de formatura da turma Invictus Urubus
Ilustração: Benett
Publicado:

Senhores oficiais, componentes da banca exterminadora. Hehehe, desculpem a brincadeira. Banca examinadora. Coube a mim, por delegação de meus colegas, dirigir a vocês a palavra para agradecer a solicitude e a compreensão com que aferiram o preparo daqueles que, para atender ao chamado, correram se matricular nesse Tiro de Guerra. Vocês sabem bem os sacrifícios que representa para um jovem entregue aos seus estudos e demais afazeres. Abdicar das horas de folga, após um dia de trabalho afanoso, se não representa mérito, por ser obrigação , é de qualquer forma índice de que tal jovem tem viva a noção do dever para com a Organização. Todos os formandos nos sentimos orgulhosos por termos ingressado nas fileiras dos que juraram defender o chamado. Uma vez aqui, estejam certos, nos comprometemos a demonstrar eficácia cada vez maior. 

Grandes foram as lições que recebemos durante o aprendizado que ora nos confere o direito de pertencermos a esse exército de fiéis. Não só no terreno armífero, propriamente dito, mas na esfera da educação cívica e religiosa, haurimos os conhecimentos necessários para nos tornarmos combatentes briosos e cidadãos prestantes. Saibam que essa rapaziada está (estamos) pronta para atender ao chamado quando a incumbência assim exigir. Vocês são testemunhas do preparo e da eficiência com que foram ministradas para nós as matérias do curso, desde os fundamentos de tiro, incluindo postura base, saque, empunhadura, visada, dedo fora do gatilho, dedo no gatilho,  respiração e tantos conceitos mais, bem como, por exemplo, os capítulos CABEÇA A PRÊMIO;  MUMUNHAS DAS TESTEMUNHAS; DO DELITO E DAS PENAS SEM PENA; DA INEVITABILIDADE DA TORTURA; DA CUMPLICIDADE ENTRE OS PARCEIROS, só para citar alguns. 

Por isso, não quero (nem posso) omitir aqui o nome do Sargento Manassés. Sabemos que na Bíblia Manassés matou pessoas inocentes e que as ruas de Jerusalém ficaram alagadas de sangue. O nosso Manassés nunca, por sorte, precisou fazer algo de tal monta, sempre foi justo, realizando seu trabalho apenas como instrumento — se um dia se vir obrigado a matar, não será ele quem matará, mas a bandidagem que, ao fazer sua escolha, terá decidido correr o risco. Ah os homens… ante as forças imensas da natureza, ante os mistérios insondávei s da criação, seu espírito se curva reverente e submisso à procura das explicação e, quando necessário, das expiações — um ente superior se impõe, portanto, à sua inteligência. Esse ente que ele sente palpitar em tudo o que existe, que sente palpitar no seu próprio eu, só pode ser Deus. Curva-se, diante desse ser todo poderoso e presta-lhe sua homenagem. É a criatura se devotando ao criador. Esse ato de submissão, essa confissão de humildade e dependência é na essência o que norteia nossa chamado. 

O Sargento Manassés, instrutor que com o desvelo e a proficiência de perfeito conhecedor de tais (com o perdão da redundância) conhecimentos e de sua profissão de fé, soube tornar interessante e rendosa nossa aprendizagem. Somos o braço armado dos escolhidos. Em todas as épocas e em todos os tempos, aos exércitos como o nosso foi incumbida a defesa da honra e da integridade. Podemos afirmar que a nossa soldadesca é a alma pater da Organização. Nele se integram o espírito de sacrifício e de heroísmo, de abnegação e renúncia, de ordem e de disciplina. Uma vontade única é a lei. E ai de onde isso não acontece. Só um farol com duas fortes luzes nos indica o caminho: a Palavra Sagrado e a Lei, que é seu prolongamento. Eis porque essa hoste deve estar imune às infiltrações egoísticas de grupos que com ela não comungam.

Somos uma escola de abnegação e de civismo. Se outras razões não militassem à favor dos serviços que a partir do dia de hoje a turma de formandos Invictus Urubus passa a prestar, a abjuração, a renúncia ao individualismo egoístico, a convocação cívica seria suficientes para se exigir que todo o sócio de nossa Organização sirva sob a artilharia para nela se integrar de corpo e alma.

O mavórtico, o pugnace, o belígero não pode ser apenas um estado de espírito tacanho que acha que tudo se resolve pela força bruta, com o desprezo da liberdade e das forças divinas. A História trouxe até nós o excelso nome de alguém que nunca, entretanto, possuiu espírito tacanho. Ele nos ensinou sobre planejamento e estratégia, sobre inteligência. O grande caxias, nossa figura exemplar, nosso modelo, sem dúvida, um homem completo, o Sargento Manassés. Não à toa, suas qualidades muito concorre ram para que a formação dessa tropa atingisse o pleno êxito. 

Senhores oficiais, podem ter certeza que, com a turma Invictus Urubus, esse exército encontrará, sempre, um pugilo de homens prontos a atender ao seu apelo. Parabéns a todos. Vida longa à Organização. De todo o coração, muito obrigado.

Mais em Cronicas

Ver todos
Patinação no gelo: o fogo de Prometeu

Patinação no gelo: o fogo de Prometeu

/

Mais de Luiz Felipe Leprevost

Ver todos

De nossos parceiros