res.sa.ca.[fisiol]: provação cabal de que a velhice chegou, apoderou-se das carnes, dos nervos e agora é senhora de dores inéditas. O tempo alonga e aprofunda a ressaca. Faz dela uma experiência mais cruel e inevitável. Mas isso você só perceberá tarde demais. Depois vai querer tirar a limpo. Passar a régua. Tomar água entre as biritas. Mas quando a juventude se vai, nada mais é capaz de deter a ressaca. E a devastação que com ela se instaura. A ressaca é o escárnio do tempo avacalhando nossos excessos já tão raros excessos. Não há dinheiro para excessos. Não há tempo para excessos. E quando há, há ressaca. É a dívida que chega. A vingança certa. A agulha na têmpora e a náusea. O acerto de contas. A ressaca já foi um vômito de surpresa. Uma inconveniência passageira. Um mal-estar. Até mesmo uma condecoração. Hoje ela é o fantasma da morte rondando promessas de noites inesquecíveis. Assombrando prantos que mereciam torpor. E celebrações dignas dos melhores venenos. A ressaca é um fantasma que você abraçará somente nos dias que se sentir mais vivo. Ou que genuinamente desejar a morte.
Cor. As rugas sulcando o coração.
Pug. A luta contra a inevitabilidade do tempo.