A tia Iaka sabe cuidar direitinho de mim. “A tia Iaka é cuidadora por vocação”, a mamãe disse. A tia Iaka já cuidou do priminho do meu papai quando ele tinha cinco aninhos. O priminho foi pro céu, hoje em dia ele teria exatamente a idade do meu papai grandão. A tia Iaka cuidou da mamãe dela, que era a vovó do meu papai e era a minha bisa que tá lá no céu. Quando a minha vovó, que é irmã da tia Iaka, ficou se recuperando em casa do vírus da pandemia, depois de ter ficado no hospital, a tia Iaka que cuidou dela. Meu papai fala “graças a Deus” que eu ainda não tinha nascido na pandemia, só ia nascer um ano e meio depois.
Semana passada a tia Iaka ajudou o papai e a mamãe cuidarem de mim no hospital. Tive que ser internado de emergência no hospital do Pequeno Príncipe, um bichinho chamado meningite me pegou. O papai e a mamãe ficaram comigo lá o tempo todinho. Cada aventura que a gente viveu. Um dia de manhã a tia Iaka trouxe de presente três tratorzinhos. As moças que trabalham com o Pequeno Príncipe tiveram que me levar pra uma salinha toda branca e limpinha pra colocar um caninho na minha veia. Quando voltei do soninho que as ajudantes do Pequeno Príncipe me deram, olhei pro fio que saía do meu pescoço direto pro tubo do remédio e fiquei com medo: “por que tô preso, papai? Solta eu, pai.”
De noite quando tudo tava quieto os tratorzinhos que a tia Iaka deu começaram acender as luzinhas toda vez que eu tocava neles: “olha isso.” O papai e a mamãe, nem eu, sabiam que os carrinhos acendiam. “Não tem nenhum botão no brinquedo”, o papai falou, “a tração das rodas também não faz acender.” Na mão do meu pai e da mamãe os tratorzinhos não tinham graça, mas era eu encostar que já acendiam. De manhã, a mamãe falou que durante a madrugada, depois que eu consegui nanar, os tratorzinhos ainda continuaram acendendo sozinhos de vez em quando, sem ninguém tocar neles.
Quando a tia Iaka chegou contei pra ela. Mas ela tinha trazido outra surpresa, umas bolinhas de goma que o papai não queria que eu comesse porque tem açúcar. A tia Iaka falou: “vamo comer só nós dois e a gente não fala nada pra ninguém.” Ai ai tia Iaka safadinha. Por causa do fio que as ajudantes do Pequeno Príncipe colocaram no meu pescoço eu tava com medo de tomar banho. A tia Iaka e a mamãe acharam um jeito muito legal de eu ir na banheira. Como a tia Iaka é irmã da minha vó, então ela é um pouco minha vó também. Desde que eu sou pequenininho, porque agora eu já tenho dois anos e meio e sou menino grande, ela diz que tem uma ligação muito forte comigo, por um fiozinho invisível que não dá medo nenhum.