Uma liminar concedida pela juíza da 5ˆaˆ Vara da Fazenda Pública de Curitiba suspendeu a sessão da Câmara de Curitiba que votaria a possível cassação do mandato da vereadora Professora Angela (PSOL). A juíza Dyele Denardin Zydek deu razão aos argumentos da defesa de Angela, que entre outros problemas apontou a suspeição do relator do processo, Olímpio Araújo Filho (PL), e sessões da comissão processante realizadas sem que a defesa fosse intimada.
Única parlamentar eleita pelo PSOL até hoje em Curitiba, Angela é acusada de fazer apologia às drogas com uma cartilha distribuída durante uma audiência pública da Câmara. Voltada para a redução de danos que as drogas podem causar aos usuários, a cartilha pretendia ensinar como evitar problemas graves à saúde que podem ser causados por drogas como o crack, a cocaína, a maconha, LSD e os cogumelos alucinógenos.
Dois vereadores da extrema-direita, Da Costa (União) e Bruno Secco (PMB), levaram o caso à Corregedoria, alegando quebra de decoro parlamentar. O corregedor Sidnei Toaldo (PRD) decidiu pela abertura de uma comissão processante para avaliar as denúncias. O relator, escolhido entre os três vereadores sorteados para compor a comissão, foi Olímpio, conhecido por seu canal "Mundo Polarizado".
A defesa de Angela usou como um de seus argumentos o fato de que Olímpio, um radical bolsonarista, havia pouco tempo antes do início dos trabalhos afirmado que a organização feminista de que Angela participa é "terrorista", e também chamou seu partido, o PSOL, de "partido de traficantes". Apesar disso, o vereador se negou a se declarar suspeito para a função.
A Câmara de Curitiba pode agora recorrer da decisão judicial para marcar uma nova data para a sessão de julgamento. A análise, nesse caso, seria feita pelo Tribunal de Justiça do Paraná.