O ex-procurador da República Deltan Dallagnol disse em entrevista exclusiva ao Plural que tem convicção de que sua candidatura ao Senado será validada pela Justiça Eleitoral. Quatro anos atrás, o registro dele como candidato a deputado federal foi anulado judicialmente, e há dúvidas se ele será ou não barrado novamente.
Na entrevista ao Plural, parte do ciclo de conversas com todos os pré-candidatos ao Senado pelo Paraná neste ano, Deltan defendeu que a cassação de seu registro, acolhida por sete votos a zero no Tribunal Superior Eleitoral, foi indevida. O TSE concluiu que Deltan havia se exonerado do Ministério Público cinco meses antes do prazo exigido pela lei eleitoral para "burlar" a Lei da Ficha Limpa. Alvo de diversas reclamações, Deltan ficaria inelegível caso uma delas gerasse um Processo Administrativo.
Deltan nega que tenha feito esse cálculo. Diz que saiu ante do prazo apenas para ter tempo de escolher um partido e de se preparar para a eleição. "Não havia o receio de uma demissão por infração, nem de um processo administrativo", diz ele. "O que houve foi um exercício de bola de cristal do ministro Benedito Gonçalves, que imaginou que alguma das reclamações pudesse gerar um PAD", afirmou.
No entanto, a possibilidade de um processo administrativo e até mesmo de demissão estava no ar para a força-tarefa da Lava Jato naqueles dias. Uma semana antes da exoneração de Deltan, seu parceiro de trabalho, Diogo Castor, havia sido demitido por ordem da Justiça. E o Conselho Nacional do Ministério Público havia recebido um documento recomendando expressamente a abertura de um PAD contra Deltan.
O ex-procurador diz que agora todas essas reclamações já foram arquivadas, menos duas, mostrando que não havia risco de ele se tornar inelegível. No entanto, diz que ainda não sabe se pedirá antecipadamente uma declaração da Justiça Eleitoral sobre sua elegibilidade.
Moratória
Na entrevista para o Plural, Deltan reafirmou sua decisão de não criticar nenhum candidato da direita neste ano. "Não vou fortalecer narrativas que prejudiquem a união da direita", disse. A justificativa é que o fundamental, para ele, é tirar Lula e o petismo do Governo Federal.
Esse seria o motivo, segundo Deltan, para que ele tenha pedido a Romeu Zema, pré-candidato à Presidência pelo Novo, que deixasse de criticar Flávio Bolsonaro (PL). Zema bateu duro nas redes sociais em Flávio depois da revelação de que o senador recebeu pelo menos R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, supostamente para financiar o filme "Dark Horse", uma cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).
Deltan negou que isso signifique "passar pano" para irregularidades cometidas por correligionários ou parceiros de chapa - se negou a comentar, por exemplo, a "emenda Master", apresentada pelo deputado Filipe Barros (PL), seu parceiro de chapa na eleição para o Senado. Disse apenas que deixará a investigação desses fatos para as autoridades.
Sobre os R$ 382 mil que recebeu do Fundo Eleitoral, via Partido Novo, conforme revelou a Folha de S.Paulo, como "embaixador"do Novo - dinheiro recebido numa conta da empresa Comply, que Deltan mantém com a esposa, Fernanda, e com os filhos - o ex-procurador diz que se trata de seu salário para aumentar as fileiras do partido. O valor seria o equivalente mensal ao salário de deputado que Deltan receberia caso não tivesse perdido o mandato.