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Paraná está na lanterna do investimento em saúde

O Paraná é a 4ª maior economia do país — e, ano após ano, o estado que proporcionalmente menos aplica a própria receita em saúde. Só deixou de ficar abaixo do mínimo constitucional depois que a lei mudou o modo de fazer a conta

Paraná está na lanterna do investimento em saúde
Foto: Aenoticias

Quarta maior economia, quarto estado em arrecadação, quinta maior renda por habitante do Brasil. Em quase todos os rankings de riqueza, o Paraná aparece no topo. Em um deles, não: no percentual da própria receita que destina à saúde, o estado é o último entre os 26. Em 2025, aplicou 12,21% — o menor índice do país, contra uma média nacional de 14,57% — e apenas 0,21 ponto acima do piso que a Constituição obriga.

26ºde 26 estados · 2025
Posição do Paraná no percentual da receita de impostos e transferências aplicado em ações e serviços públicos de saúde. No período 2002–2025, a posição média do estado foi 23,7º — nunca saiu do terço inferior da tabela.

Não é um tropeço pontual. Pela série histórica do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS), do Ministério da Saúde, o Paraná ficou abaixo do mínimo constitucional em todos os anos entre 2002 e 2013. Chegou a aplicar 5,75% em 2003 e passou boa parte da década de 2010 na casa dos 9% a 10% — quando a média dos estados já superava com folga os 12%.

Percentual da receita aplicado em saúde — Paraná × média nacional
Em % da receita de impostos e transferências. A linha tracejada é o mínimo constitucional (7%→12%, progressivo até 2004).
Paraná Média nacional Mínimo legal
O Paraná (vermelho) só cruza a linha do mínimo em 2014 e, desde então, caminha colado a ela — sempre abaixo da média nacional (azul).
O piso que só veio com a lei

Durante anos, o estado dizia cumprir. O governo federal dizia que não.

A Emenda Constitucional 29, de 2000, obriga os estados a aplicar no mínimo 12% da receita de impostos e transferências em saúde. Mas, por mais de uma década, houve duas contas. Enquanto o SIOPS apontava o Paraná abaixo do piso, os Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária (RREO) publicados pela Secretaria da Fazenda mostravam o estado acima de 12% — 12,15% em 2010, 12,78% em 2012. A diferença, de mais de dois pontos, era metodológica: o estado incluía despesas que o Ministério da Saúde não reconhecia como saúde pública.

O impasse só terminou com a Lei Complementar 141, de 2012, que detalhou o que pode e o que não pode entrar na conta. A partir de 2013, as duas fontes passaram a coincidir quase à casa decimal — e foi só em 2014 que o Paraná registrou, pela primeira vez, um índice acima de 12% reconhecido por ambas. Desde então cumpre a regra. Mas cumpre no limite: de 2014 a 2025, ficou entre 12,03% e 12,96%, a uma margem média de 0,27 ponto do mínimo.

Duas contas para o mesmo estado
% aplicado em saúde segundo o SIOPS (federal) e segundo o RREO declarado pela SEFA-PR.
SIOPS (federal) RREO (o estado declarava) Mínimo 12%
Até 2012, a conta do estado (violeta) ficava bem acima da federal (vermelho). Depois da LC 141/2012, as duas convergem. Em 2005 e 2006 o RREO estadual foi publicado em versão simplificada, sem o anexo de saúde.
O retrato de 2025

O menor esforço do país

No exercício mais recente, o Paraná fechou na lanterna. Enquanto estados como Amazonas, Sergipe e Tocantins destinaram entre 17% e 20% da receita à saúde, o Paraná parou em 12,21% — atrás, inclusive, de vizinhos com economias muito menores.

% da receita aplicado em saúde, por estado — 2025
Passe o cursor sobre as barras. A linha tracejada marca o mínimo de 12%.
Média nacional: 14,57%. O Paraná (12,21%) é o 26º e último colocado.
O contraste

No topo da economia, no fundo da saúde

É a distância entre os dois lados que dá a dimensão da escolha orçamentária. Nos indicadores de riqueza, o Paraná está entre os primeiros. No de saúde, entre os últimos.

Economia — onde o PR está no topo

PIB (maior economia)
Arrecadação tributária
Renda domiciliar per capita
Orçamento estadual (2026)

Saúde — onde o PR está no fundo

% da receita aplicado em saúde26º
Gasto próprio por habitante24º
Gasto total por habitante21º
Posição média 2002–2025 (%)23,7º

Corrigido pela inflação, o Paraná de fato gasta mais em saúde do que há vinte anos: o investimento próprio por habitante saltou de R$ 138 (2002) para R$ 589 (2025), em reais de 2025 — alta real de 328%. O problema é comparativo. Os demais estados aumentaram mais, e o Paraná ficou para trás: em 2025, os R$ 849 gastos por paranaense (incluindo repasses do SUS) ficaram 33% abaixo da média nacional.

Gasto total em saúde por habitante — Paraná × média nacional
Em reais de 2025, corrigido pelo IPCA (inclui recursos próprios e transferências do SUS).
Paraná Média nacional
A distância para a média nacional (azul) se abriu a partir de 2020.
Uma ressalva. O percentual de aplicação mede o esforço orçamentário — quanto da receita de impostos o estado dirige à saúde — e é o critério do mínimo legal. Já o gasto por habitante, isolado, favorece estados pouco populosos (por isso o topo é de Amapá, Acre e Roraima). Ainda assim, olhando só o gasto de recursos próprios por habitante, que neutraliza o repasse federal, o Paraná aparece em 24º entre 26 — o mesmo retrato.
Como apuramos. Percentuais e gasto por habitante: série histórica do SIOPS (Ministério da Saúde/DATASUS), indicadores 3.2 e 2.1, 2002–2025. Conta do próprio estado: Anexo 12 dos RREO de fechamento anual (Portal da Transparência/SEFA-PR). Valores por habitante corrigidos para reais de 2025 pelo IPCA (Banco Central, série 433). Posições econômicas: PIB dos Estados e rendimento domiciliar per capita 2025 (IBGE), arrecadação estadual e Leis Orçamentárias Anuais de 2026.
Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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Tags: saúde Paraná

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