Quarta maior economia, quarto estado em arrecadação, quinta maior renda por habitante do Brasil. Em quase todos os rankings de riqueza, o Paraná aparece no topo. Em um deles, não: no percentual da própria receita que destina à saúde, o estado é o último entre os 26. Em 2025, aplicou 12,21% — o menor índice do país, contra uma média nacional de 14,57% — e apenas 0,21 ponto acima do piso que a Constituição obriga.
Não é um tropeço pontual. Pela série histórica do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS), do Ministério da Saúde, o Paraná ficou abaixo do mínimo constitucional em todos os anos entre 2002 e 2013. Chegou a aplicar 5,75% em 2003 e passou boa parte da década de 2010 na casa dos 9% a 10% — quando a média dos estados já superava com folga os 12%.
Durante anos, o estado dizia cumprir. O governo federal dizia que não.
A Emenda Constitucional 29, de 2000, obriga os estados a aplicar no mínimo 12% da receita de impostos e transferências em saúde. Mas, por mais de uma década, houve duas contas. Enquanto o SIOPS apontava o Paraná abaixo do piso, os Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária (RREO) publicados pela Secretaria da Fazenda mostravam o estado acima de 12% — 12,15% em 2010, 12,78% em 2012. A diferença, de mais de dois pontos, era metodológica: o estado incluía despesas que o Ministério da Saúde não reconhecia como saúde pública.
O impasse só terminou com a Lei Complementar 141, de 2012, que detalhou o que pode e o que não pode entrar na conta. A partir de 2013, as duas fontes passaram a coincidir quase à casa decimal — e foi só em 2014 que o Paraná registrou, pela primeira vez, um índice acima de 12% reconhecido por ambas. Desde então cumpre a regra. Mas cumpre no limite: de 2014 a 2025, ficou entre 12,03% e 12,96%, a uma margem média de 0,27 ponto do mínimo.
O menor esforço do país
No exercício mais recente, o Paraná fechou na lanterna. Enquanto estados como Amazonas, Sergipe e Tocantins destinaram entre 17% e 20% da receita à saúde, o Paraná parou em 12,21% — atrás, inclusive, de vizinhos com economias muito menores.
No topo da economia, no fundo da saúde
É a distância entre os dois lados que dá a dimensão da escolha orçamentária. Nos indicadores de riqueza, o Paraná está entre os primeiros. No de saúde, entre os últimos.
Economia — onde o PR está no topo
Saúde — onde o PR está no fundo
Corrigido pela inflação, o Paraná de fato gasta mais em saúde do que há vinte anos: o investimento próprio por habitante saltou de R$ 138 (2002) para R$ 589 (2025), em reais de 2025 — alta real de 328%. O problema é comparativo. Os demais estados aumentaram mais, e o Paraná ficou para trás: em 2025, os R$ 849 gastos por paranaense (incluindo repasses do SUS) ficaram 33% abaixo da média nacional.