Série Dois pesos da Justiça
A morte brutal de um jovem indígena, em meio aos conflitos por terra no oeste do Paraná, aprofundou o medo nas aldeias e ampliou os questionamentos sobre a atuação das instituições responsáveis pela investigação.
Esta série de reportagens publicadas do Plural tem o apoio da Federação dos em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-PR), do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge-PR).
Confira a primeira reportagem da série:

A Tekoha Yvyju Avary é uma aldeia que fica a 18 quilômetros do centro de Guaíra e surgiu por meio de uma retomada de território em dezembro de 2023. Nela vivem cerca de 60 indígenas. Cercados por grandes plantações de soja, eles se refugiam em um dos poucos corredores de mata que ainda resiste às investidas dos fazendeiros da região.
A aldeia é liderada pelo cacique Bernardo Rodrigues Diegro. Na Tekoha existem ainda meia dúzia de barracos, uma casa de reza com poucas folhas de eternit, uma escola que não tem paredes onde um professor dá aulas duas vezes por semana, um chiqueiro com uma dezena de porcos, uma roça com milho e legumes e um cemitério.
Nele, há apenas um túmulo na parte alta da aldeia e contempla uma imensa plantação de soja. Lá, desde julho de 2025 descansa Everton Lopes Rodrigues, um dos cinco filhos do Cacique Bernardo. O indígena tinha 21 anos quando foi brutalmente assassinado.
No cemitério impera um silêncio sufocante. Há apenas o farfalhar quase imperceptível das milhões de folhas de soja que dançam embaladas pelo vento. Um mar verde amarelado que desafia o alcance da visão.
Mariela Lopes, filha do cacique Bernardo, teve um pesadelo com o irmão Everton. Era metade de julho de 2025 e ela acordou assustada. Grávida de nove meses, demorou a dormir novamente. Naquela semana, segundo a irmã, Everton estava estranho, pensativo, calado. Parecia prever algo. Dias depois, Mariela acordou mais uma vez no meio da noite, outra vez um pesadelo. Enquanto se debatia na cama, ouviu o motor de um carro.
Era um tio que batia apressado na porta do cacique Bernardo. O parente não trazia boas notícias. Tinha acabado de ver uma cena pavorosa: a cabeça de Everton sobre um palanque de madeira à beira da estrada. Metros depois estava o restante do corpo. Era madrugada de 12 de julho.
“Naquela noite eu não conseguia pegar no sono. Quando consegui, tive um pesadelo e acordei. Era umas quatro horas da manhã quando ouvi o barulho de um carro, aí pulei da cama e avisei meu marido. Quando ouvi minha mãe chorando, eu já sabia que era algo de muito ruim”, conta Mariela.
Everton saiu de casa no final da tarde do dia anterior. Foi jogar futebol na aldeia vizinha. Mariela e o marido tinham ido com ele, mas voltaram antes, ainda no começo da noite. Everton voltaria depois. Como não apareceu, a família achou que ele dormiria na casa de parentes. No entanto, o jovem avá-guarani emprestou uma moto para ir embora. Era perto das 23h quando saiu.
Às quatro da manhã, seu tio, que ia para o trabalho, o encontrou. A cabeça e o corpo estavam separados por mais de cem metros. O corpo estava no meio de uma plantação de milho. De calça azul e com uma camisa de manga comprida, tinha os braços enrijecidos e esticados para frente. Parecia pedir ajuda.
Junto a ele estava a motocicleta emprestada horas antes. Ao lado da cabeça foi encontrada uma carta com ameaças às comunidades indígenas. Assinada por “Bonde 06 do N.C.S.O”, ela reproduzia discursos disseminados pelo agronegócio e pela imprensa da região, se referindo aos indígenas como paraguaios e vinculando as vítimas ao Primeiro Comando da Capital - PCC.

Para a família, foi devastador. Mariela nunca mais foi a mesma. “Eu não durmo direito, me sinto depressiva. Ontem sentei na cama à noite e chorei muito, me perguntando porque fizeram isso com ele, porque Deus deixou”.
E o choro é recorrente na aldeia. Várias vezes por dia os irmãos de Everton observam fotos dele no celular. Todas as vezes choram. É assim também com a mãe e com o pai. “Fico pensando porque fizeram isso com ele”, diz o pai. Mesma pergunta feita pela mãe e pelos irmãos.
Everton Lopes tinha sua própria roça. Nela plantava algumas verduras e havia construído uma pequena casa de madeira. O jovem queria ser artista. Desenhava e tinha, conforme conta um dos irmãos, um dom que podia lhe dar um destino diferente da maioria dos indígenas da região, que precisam recorrer a trabalhos braçais para sobreviver, muitas vezes trabalhando inclusive para o agronegócio que tanto os persegue.
Mas seus desenhos foram queimados assim que ele e a família ocuparam a área onde fica a aldeia. Arderam num incêndio promovido por capangas de fazendeiros. No mesmo fogo foram consumidos também barracos de lona, pertences pessoais, alimentos e também uma moto.
“Meu irmão era um cara muito especial. Queria ser artista, desenhava muito bem. Eu e ele éramos muito ligados, a gente se dava muito bem, era meu grande amigo. Agora ele se foi e não consigo me conformar, não consigo esquecer, é muito difícil pra mim”, desabafa um dos irmãos.
No dia 21 de dezembro de 2023, a família do Cacique Bernardo deu início à retomada onde hoje está a Aldeia Yvyju Avary. Era uma quinta-feira. No sábado, dia 23, a comunidade sofreu o primeiro ataque protagonizado por um grupo que ingressou na área, mantendo um cerco, praticando hostilidades e investidas com armas de fogo, foguetes e rojões desde a tarde até depois de anoitecer. Um drone sobrevoou a aldeia, e em Guaíra foram difundidas informações incitando o ódio da população contra os indígenas, os acusando de invasores.
A chegada da Polícia Federal dispersou o grupo, porém os agressores saíram do local prometendo retornar na manhã do dia seguinte, o que aconteceu no domingo, véspera de Natal. Um caminhão trazia dezenas de paraguaios na carroceria. Segundo a família do cacique Bernardo, boa parte dos agressores falava o Guarani, idioma do país vizinho. Outros caminhões e caminhonetes também transportavam homens armados. “Contrataram um monte de paraguaio que vieram aqui para nos expulsar. E os fazendeiros estavam com eles. A gente correu para o mato porque era muito tiro”, lembra o cacique.
No ataque, um cão da aldeia foi morto e arrastado. A polícia apareceu horas depois do início das investidas. Era o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFROM). Os policiais, segundo os indígenas, foram amistosos com os fazendeiros e seus jagunços e ninguém foi preso, mesmo que alguns estivessem com armas em punho.

No mesmo dia, enquanto a família do Cacique Bernardo se escondia na mata, a cerca de 13 quilômetros dali, a Tekoha Yvy Okaju – aldeia que também fica na Tekoha Guasu Guariva – também sofria intensos ataques.
Lá, homens armados atiraram incessantemente contra as casas da aldeia. Uma ofensiva que durou três dias ininterruptos. Uma mobilização com centenas de agressores se utilizando de carros, motos, caminhonetes, caminhões e tratores. “Eles atiraram por três dias seguidos. Só paravam quando a Polícia Militar e a Polícia Federal chegavam. Depois, as forças de segurança iam embora e eles apareciam de novo”, revela o cacique da aldeia, Ilson Soares, também conhecido como Okaju. A delegacia da Polícia Federal de Guaíra fica a pouco mais de quatro quilômetros da aldeia.
A morte de Everton Lopes foi o ponto alto da série de violências sofridas pelos avá-guarani desde dezembro de 2023. As investigações sobre o homicídio estão sob responsabilidade da Polícia Federal (PF), que conduz o inquérito há quase um ano. Entretanto, um documento do Ministério Público Federal (MPF), ao qual o Plural teve acesso, revela um desfecho surpreendente para o crime.
MPF diz que autoria do crime é de outro indígena
No dia 3 de setembro de 2025, a 6ª Câmara de Coordenação e Revisão - Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal publicou um documento assinado pela subprocuradora Ana Borges Coêlho Santos. Nele existe a afirmação de que o inquérito da Polícia Federal sobre a morte de Everton já teria identificado o autor, e ele seria indígena.
“Nesse procedimento investigativo foram realizadas diligências de campo essenciais à elucidação do crime, incluindo oitiva de testemunhas e outras medidas probatórias necessárias à apuração dos fatos. As investigações desenvolvidas no âmbito policial resultaram na identificação indiciária do autor do homicídio, tendo sido apurado de forma conclusiva que se trata de outro indígena, sendo o crime motivado exclusivamente por questões de natureza passional, totalmente desvinculadas dos conflitos fundiários existentes na região”, diz um trecho do documento.
O documento é uma decisão de homologação de arquivamento de uma notícia de fato instaurada a partir da comunicação do homicídio de Everton Lopes. Quando ele foi assassinado, lideranças dos avá-guarani procuram o MPF ressaltando que ao lado de parte do corpo da vítima foi encontrada uma carta contendo ameaças à comunidade, inclusive ao ônibus escolar que transporta as crianças das aldeias. As lideranças solicitaram então escolta policial para o transporte escolar de crianças e adolescentes, alegando temor diante da escalada de violência.
“Se vocês não desocupar (sic) as terras recém invadidas, nós vamos matar mais de vocês, iremos invadir as aldeias já existentes, atacaremos os ônibus com vossas crianças dentro, queimaremos vivos. Não é uma ameaça vazia, mas, sim, recheada com ódio”, enfatizava um trecho da carta de ameaça aos indígenas.
Ao manter o arquivamento da notícia de fato, a relatora destacou que as investigações da Polícia Federal identificaram o autor do homicídio e concluíram que o assassinato decorreu de questões pessoais entre vítima e investigado. O documento afirma que essa conclusão afasta qualquer nexo entre o crime e os conflitos territoriais, bem como a hipótese de violência motivada por preconceito ou discriminação étnico-racial. A decisão também sustenta que não foram encontrados elementos objetivos que justificassem medidas específicas de proteção ao transporte escolar em razão desse homicídio.
Mas o inquérito sobre a morte de Everton ainda não foi concluído, ou seja, a autoria do crime ainda não foi divulgada pela Polícia Federal.

Assim, a afirmação da autoria do crime, trazida pela decisão do MPF, causou surpresa entre os indígenas. O cacique Bernardo afirmou que não sabia. Aliás, ele tem poucas informações sobre o andamento das investigações. “Nossa, essa informação é nova, a gente não sabia disso”, salienta.
Já o advogado que representa a família da vítima disse desconhecer essa decisão do MPF. “O inquérito segue em andamento e ainda não há uma conclusão definitiva. Acompanhamos em nome da família da vítima e para não prejudicar o resultado das investigações não comentaremos, resguardando o sigilo da investigação”, pontua o advogado.
Racismo institucional
A Comissão Guarani Yvyrupa revela que um servidor da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que já atuou em Guaíra, confidenciou que a razão de a violência contra os guaranis não chamar a atenção é o fato de nunca ter havido um grande massacre, como já houve em Eldorado dos Carajás contra sem-terras.
“Acreditamos que isso seja assim por uma questão estratégica; os que querem a expulsão dos guaranis da região perceberam que assim seria mais efetivo. Por isso, as violências contra os guaranis não chamam a atenção das autoridades e dos defensores de direitos humanos”, diz a CGY.
Mas destaca que nos últimos anos foi diferente. Aconteceram vários ataques sucessivos, com pessoas feridas. E aí foi instaurada uma investigação mais ampla para apurar os patrocinadores desses ataques. “Mas, veja: foi preciso que a violência escalasse, que beirasse um massacre, para que isso acontecesse. Agora é preciso cobrar das autoridades que concluam as investigações”.
E a escalada desta violência, que quase terminou em um massacre, aconteceu principalmente por causa de um racismo institucional que permeia as diferentes instâncias do poder público. Ele é também o principal fator para se explicar a leniência da polícia em investigar os ataques contra os avá-guarani e da Justiça ao não processar e condenar os acusados.
Quem afirma é o professor Clóvis Antonio Brighenti, docente da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e pesquisador da memória e imagem dos povos indígenas do Paraná. Ele explica que o principal elemento para compreender a relação entre os povos indígenas e o sistema de Justiça é o racismo institucional, que, segundo ele, permeia todas as dimensões desse vínculo.
“Embora, em tese, os órgãos públicos devam atuar de forma isonômica, na prática isso não ocorre, pois os indígenas ainda são tratados como inferiores”, destaca o professor. Na avaliação dele, esse preconceito histórico sustenta a forma como instituições responsáveis por garantir direitos acabam se relacionando com as comunidades indígenas.
Segundo o pesquisador, em vez de atuar conforme determina a legislação, parte dos órgãos de Justiça e de segurança pública reproduziria relações históricas de discriminação, preconceito e inferiorização dos povos indígenas. Brighenti diz que em uma região marcada por conflitos fundiários, agentes responsáveis por receber denúncias e conduzir investigações muitas vezes têm vínculos sociais com fazendeiros apontados pelos indígenas como autores de ataques, o que comprometeria a imparcialidade das instituições e faria com que a Justiça atuasse em favor de apenas um segmento da sociedade.
Como exemplo, o professor relatou que, durante um trabalho de campo sobre contaminação de recursos hídricos, ouviu denúncias de indígenas de que agricultores descartariam embalagens de agrotóxicos e animais mortos em riachos da região. Ao orientar que os casos fossem registrados em boletins de ocorrência, recebeu como resposta que as comunidades já haviam feito denúncias anteriormente, mas que nenhuma providência teria sido adotada. De acordo com os relatos, policiais responsáveis pelos registros manteriam relações de proximidade com fazendeiros da região, o que desestimularia novas denúncias.
E essa é uma realidade descrita por muitos indígena da região oeste do Paraná. A maneira como a Polícia Militar tratou os indígenas, vítimas de intensos ataques, evidencia isso. “A Polícia ameaçou nós. Eles vieram aqui e ficaram do lado dos capangas e dos fazendeiros. Se cumprimentaram, apertaram as mãos. A gente é que foi tratado como criminosos”, conta cacique Bernardo sobre a presença da PM quando foi acionada pelos indígenas durante um dos ataques.
O tratamento brando das forças de segurança para com os fazendeiros armados alimenta um descrédito também em relação à Justiça. O possível desfecho sobre o assassinato de Everton, que segundo o Ministério Público Federal foi cometido por outro indígena, aumenta ainda mais a descrença. “Mais uma vez vão jogar a culpa sobre um indígena. Eles sempre fazem isso”, diz uma fonte que prefere omitir a identidade por segurança.

Informações que circulavam durante as retomadas de terras pelos indígenas davam conta de que um fazendeiro teria oferecido R$ 50 mil para cada cabeça de indígena decepada do corpo. Assim, o assassinato de Everton – que dias antes foi filmado e fotografado pelo mesmo fazendeiro – para muitos indígenas foi praticado por mercenários em busca de uma recompensa.
Clóvis Antonio Brighenti explica ainda que uma das primeiras barreiras enfrentadas pelos indígenas é o acesso ao sistema de Justiça. Segundo o professor, muitas comunidades não confiam que registrar um boletim de ocorrência ou formalizar uma denúncia resultará em alguma providência concreta, o que alimenta a desconfiança em relação às instituições do Estado.
E esse conjunto de fatores evidenciaria que o racismo institucional é o elemento central para compreender a forma como o sistema de Justiça se relaciona com os povos indígenas. Na avaliação dele, a discriminação estrutural influencia o atendimento prestado pelas instituições e contribui para a falta de resposta às denúncias apresentadas pelas comunidades Guarani.
Ele destaca que os episódios de violência registrados entre 2023 e 2025 representam apenas um recorte de uma realidade denunciada pelos Guarani há muitos anos. “ Muito antes desse período já havia registros de indígenas baleados enquanto circulavam pela cidade, vítimas de discriminação, atropelamentos em áreas urbanas e rodovias e até mortes causadas por motoristas que fugiram sem prestar socorro. A principal questão é compreender por que os órgãos responsáveis pela investigação e punição desses crimes deixam de agir diante das denúncias”, observa.
Para os indígenas o medo continua, já que as retomadas sobreviveram a pedidos de reintegração e se mantém, mesmo na precariedade, preservando o território originários dos Avá-Guarani.
Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou um acordo emergencial para a compra de 3 mil hectares de terra para os Avá-Guarani da Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá e da Terra Indígena Tekoha Guasu Okoy Jakutinga. A compra, no valor inicial de R$ 240 milhões, será feita com recursos da Itaipu Binacional como forma de reparação pela formação do reservatório da usina, na década de 1980.
Segundo a Itaipu, as novas áreas serão destinadas a 31 comunidades situadas nas terras indígenas Tekoha Guasu Guavirá e Tekoha Guasu Okoy Jakutinga, distribuídas em São Miguel do Iguaçu, Itaipulândia, Santa Helena, Foz do Iguaçu, Terra Roxa e Guaíra.
Desde então, a Itaipu negocia a compra de fazendas sobrepostas às terras indígenas de Guaíra, Terra Roxa e Altônia. Parte das famílias que viviam nas retomadas começou a ser realocada para essas áreas.
Nem todas, porém, deixarão as tekohas que surgiram no fim de 2023. A família do cacique Bernardo é uma delas. Desde que um de seus filhos foi enterrado ali, no alto de um cume de onde parece permanecer de vigília sobre a aldeia, o cacique decidiu fincar raízes naquele chão. Não importa a estrutura, não importa a proposta. Ele diz que não sai. "Não deixo essa terra nem se me oferecerem ouro. Quero ficar aqui com o meu filho, nem que seja enterrado ao lado dele", diz.
O Plural entrou em contato com a Polícia Federal solicitando informações sobre os procedimentos abertos pela corporação entre 2023 e 2025 para apurar os ataques contra os indígenas do oeste. Também solicitou informações sobre a atuação da PF durante a onda de violência que atingiu as comunidades guarani. Mas até a publicação desta reportagem a Polícia Federal não tinha respondido.
A Polícia Militar do Paraná também foi procurada para se manifestar sobre os fatos trazidos nesta reportagem. Mas a PM também não respondeu.
O MPF também foi procurado pela reportagem e informou que o procurador responsável pelo caso está em férias e que o órgão deve responder assim que ele retornar ao trabalho. Portanto, essa reportagem será atualizada com a resposta do Ministério Público Federal quando ela for enviada.
