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Melô da tiração

Poeta Luiz Felipe Leprevost começa a publicar obra ainda em construção. Acompanhe semanalmente

Melô da tiração
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Tome calmante, antidepressivo, mas não reclame da faina. 
Não fuja não. Teu quarto no predinho sem luxo no condomínio vagabundo 
na periferia da periferia do mundo é o último dos últimos dos paraísos. 
Teu talento é sem colheita. Chupar a luz de nenhuma teta te consola. 
Já entraram na esfola. Vai beber vento, engolir a rota. Arrotar tormento.
Vai comer cimento qual bife fosse. Teu Oásis cadê? Onde tuas sacolas? 
Vai se lambuzar da fome sem talher. Vai saborear os sobejos com deleite. 
Arranhar a própria entranha, cavar a banha das tuas tripas bem obediente. 
Vai se alimentar de uma ripa de breu, consumir-se como fosse o corpo 
farnel, carne em hipnose a sorver hipocondria. Mirar tua ira rala e ralé 
sem cafuné e alento. Procriar sem hierarquia, nem batismo. 
De patriotismo e idiotismo ferir de medos, degradação com 
intenção mal parafusada. Fornir, fornicar, foder monóxido de carbono. 
Ferramentar a cabeça até não mais mentar dor. Brigar pelo lixo que a 
rataria vizinha esmaga. Endurecer metalurgia com a liturgia das chagas. 
Chegar a sonhar que apalpa e divaga a glória passando para trás 
assim como convém. Ah estúpido estupendo errado, tu tá bem? 
Se inibiu de palitar os dentes em público? Te coíbem? 
Logo agora que virão te falar da virtude do lugar bem 
feliz no meio do confronto direto, do que sobrou do país
mais violento, dos seres da criação caçando os seres da criação, 
dos anjos da guarda que têm a espessura de bolas bolhas de sabão. 
Tá caro pra caralho o gás do botijão e o teu nariz a farejar o ar pra
beber, pra tomar assombração da civilização, né não? Depois mastigar
carne e couro, então negociar a paz versos a porra do ouro (mas o ouro não). 
O Mundo todo nos ombros e o que mais despencar escombros. 
Junto os sonhos vão. Sai já provar o óbvio. Vai lá perder o ótimo. 
O jovem não é alegre, o velho se reintegre. O dono de nada é dono. 
O dano tem alto preço. A pureza é atroz. O algoz em tu se reconhece. 
A benesse é feroz. O exausto nunca esquece. Quem desejava o país 
delicado vai se revoltar. Vivendo em meio às cinzas, quem desejava te 
matar vai te matar. As tuas crenças não são uma (nem duas) tristeza solar.
Pane nas pernas. Faca, jugular. Sangue nas mãos horrendas. 
Hodiernas horas do coração só garra e dentes. Segue o espetáculo delinquente. 
Deprimente a sociedade soçobra. Sobra pulmão infectado. Agora tu não sabe 
nem atina nem pode chorar. Nenhuma palavra de amor vai te intimidar. 
Contigo é ódio. Ódio, cuzão! O teu negócio é atirar atirar, atirar e tiração

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