Ei, Osso, armas têm lá sua subjetividade.
Senão vejamos: não parece adorável
uma pistola extorquindo outra pistola?
Uma pistola hoje é feriado. Sai pra lá, encosto.
Sei lá se sei bem o gosto da ratice
daquela maluquice que me deu.
Uma pistola invisível dando um passeio bucólico. Que erro o quê? Oh oh, burro, bora levar o berro,
o ferro, a bala, o quente pra dar rolê, mostrar Rolex, crescer as rola.
Pistolar campino talvez num parque,
montanha ao fundo, céu azul imenso,
vento suavemente, cheiro de terra fértil,
vegetação e gastação de pólvora nos passarinho,
fogo pro alto e o Osso é o gostosão.
Bora, uma pistola analfabeta, leitora funcional rudimentar, um passional elementar,
um colinho caliente intermediário,
um incendiário proficiente.
Tá russo, Osso. Diferente de você, meu pai
nem me viu, nasci sem ele. Uma metranca parindo uma metranca. Meu pai tava
na guerra. Eu tavo onde agora, moço?
Posso, será? Uma pistola “tenho mais de 25 anos, residência fixa, ocupação lícita,
aptidão técnica e psicológica pra portar
uma belezona dessas cuspidora de munição
de cobre, chumbo, aço, polímero, borracha e cera.”
Será que dá? Uma pistola “sim não tenho
antecedentes criminais, preenchi o formulário,
fui na polícia, sim RG, CPF, comprovante de endereço,
declarei os motivos que preciso de uma porrudona dessas,
mais as certidões negativas de antecedentes,
nada de nenhum inquérito que teja respondendo,
levei o documento que comprova trabalho,
levei exame técnico expedido por instrutor credenciado,
exame psicológico, fotinho 3x4.”
Então, não parece adorável uma pistola
acasalando com uma metranca já que tamo
morando bem na fronteira de um massacre?
Não parece supimpa um três oitão
desovando presuntos com luvas de pelica
já que tamo brincando sem armadura
bem na estremadura de uma chacina?
Veja isso, Osso, uma granada fazendo
um tipo moletom da Disney amarrado
na cintura do tipo caga-grosso.
Uma granada posando numa festinha
na praia paradisíaca fiscal.
E daí você aí tendo uma síncope
uma síncope uma síncope e os menor
botando banca tudo de AK, de Glock no funk
proibidão mete mete minha metranquinha pornô. Isso sim é um show!
Fez até os mortos saírem da terra,
os velhos cemitérios vieram correndo pra ver,
incontáveis fantasmas se reúnem nos flancos ou na retaguarda. Piazada felizarda!
Não parece deveras formidável
um extintor de incêndio apagando
uma barra política pesada? Vê se não se acovarda.
Manda à merda, mete uma farta
e passa mostarda no cano da espingarda.
Depois, veja só, Osso. Um extintor de incêndio
se esfregando com um exemplar do Rimbaud visionário, rebelde, provocador,
iconoclasta da poesia não, da África
na lixeira da História, tipo atirar no rosto,
degolar pescoço, enterrar no fosso.
Senão, comé que pode um lança chamas metendo beijão de língua em casas
de tolerância de um mundo intolerante
do tipo impávido colosso? Daí que
não parece mui aprazível, Osso, uma pistola
com “feridasquesefoda” na cabeça?
Uma pistola pústula, um endosso, nenhuma
ágape, só válvula de escape pra uma
pistola “fiz o registro certinho paguei a taxa
voltei na polícia com a autorização
pra aquisição mais a nota fiscal da compra
e o comprovante de pagamento bancário,
não achei nada difícil contratei um “
despachante que cuidou da papelada e
assim tô com a minha linda aqui de fogo.”
Não parece uma coisa assim fantástica
esse texano, esse Rambo, esse soldadinho
de chumbo com chumbo, cobre, aço, polímero, borracha e cera mental?
Não parece, hein, “esse partido de vagabundos
desarmou a população de bem e armou os bandidos” aquela fala recorrente no período
do plebiscito do desarmamento palavra
difícil até hoje até hoje até hoje?
Uma granada molhada de desejo e você, Osso,
chupando a granada como chupasse escárnio, cinismo, covardia, tipo, escárnio,
asco, cinismo, covardia
que a brisa do Brasil beija e balança mais
equipamentos de alta qualidade, drone,
algema, frota, só que mais que armamento
moderno, é cuidar de quem cuida onde o sol não bate,
ou é xeque-mate e abate numas de fortalecer o combate à criminalidade. Relate!
Ein, Osso, não é verdade? Uma verde e amarela verdade. Algo mudou? Os olhos do
Osso podem parecer um pouco perecíveis.
Não embaça, oh embaçado de impureza, oh desvairado do desvio. Ainda que sem constar
no contrato, contrate. Um mal. Um mal.
Um mal. Uma tentação tombada.
Um alfaiate pro teu paletó de madeira.
Não parece um extintor de incêndio de incêndio um extintor e assim por diante?
Hein, ceifadeira? Não, não parece
só porque hoje ninguém atiraram.
