No começo, eram as festinhas nos salões de prédio. As meninas levavam doce ou salgado. Os meninos, refrigerante. E sempre havia os que escondiam cerveja ou garrafinhas com vinho na jaqueta, achando que aquele gesto era um tipo de rebeldia.
Voltávamos a pé, cruzando três quarteirões com medo de perder nossos bonés da NBA para algum piazão mais velho. Era o perigo juvenil da época — barulhento, rápido, inofensivo.
Foi por esses dias que começaram os convites para bailes de debutantes. A adolescência se tornava oficial.
Nos fins de tarde, a cidade tinha cheiro de pão fresco. Parávamos nas bancas para ler revistas de música, namorar capas de CD e comprar figurinhas, mesmo já um pouco velhos demais para isso.
Os telefonemas eram no orelhão, com fichas ou cartões. E as ligações interrompidas pelas mães no outro cômodo faziam parte do risco.
Pegávamos o Interbairros I observando os estudantes do Cefet enfrentando o frio entre uma aula de Edificações e os goles de cerveja na praça de alimentação do Estação Plaza.
Comíamos no saudoso Maionese Dogs, que encerrou tragicamente sua história num racha de carro, justamente quando começava a fazer sucesso.
Uma piazada jogava truco nas panificadoras ao redor do Colégio Positivo. No ano do vestibular, poucos estudavam mais de cinco horas por dia para passar em Medicina na Federal.
Frequentávamos, com nossos irmãos mais velhos, casas de shows como o AeroAnta e o Coração Melão, onde dançávamos meio deslocados no meio do empurra empurra.
Mais tarde, por conta própria, trocamos os salões por bares como o Ponto Final, onde um ventilador girava com um cartaz que dizia: “façam a poesia das canções populares girar.” E então fomos carimbando nossa presença também no Kappelle, no Tatara, no Nilo Samba Choro, onde aprendemos a ser tristes ao som de Lupicínio Rodrigues.
Seguíamos pela avenida e chegávamos ao Bar Palácio. E então ao balcão do Stuart.
Mal podíamos imaginar que, entre a conversa fiada, os copos de cerveja e tudo o que nos embalava, aquela Curitiba estava ficando para trás.