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Ballet do rei 1

Plural publica a quinta parte do novo poema de Luiz Felipe Leprevost; leia aqui

Ballet do rei 1
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Sou o rei de fazer isso daí. 
De dizer que sou o rei. Eu.
Sou o rei de apontar o dedo. 
Desculpas porra nenhuma. 
Sou o rei de passar vergonha? 
Que? Porríssima nenhuma. 
Sou o rei dos irresponsáveis? 
Nenhuma nem NE NHU MA. 
Chame como quiser. Como é? 
Tenho um objetivo simples: 
Rei. Isso, rei. E ponto final. 
Nossa, não é o rei dos fofos? 
Dos toscos? Chame como quiser.  
Sou o rei de ser o rei. Não enche 
o saco, oh Quatrolhão da imprensa. 
Sou rei de falarem mal de mim?
Foda-se. Real total. Eu sou real. 
Não sou real? Sujo? Esdrúxulo? 
Porra nenhuma NE NHU MA. 
Sou o rei da falta de escuta? 
Então escuta o meu problema: 
fui lá e comprei. Achou ruim? 
Comprei tudinho que tinha lá.
Comprei todas dicas todinhas. 
Comprei um animal lindo lá. 
Pra atirar nele. Meter bala nele.  
Atirar nele, comprei o animal. 
Ilegal? E daí? Acho legal. Rei.
Rei que sou, o rei da pontaria. 
E você, é o rei das tartarugas? 
É o rei dos pinguins na praia? 
Sai fora. Rei de onça pintada? 
Rei dos gays ambientalistas? 
Sai fora. Você é o rei do baseado,
é maconheiro, vagabundo, vagau. 
Vai querer dizer que isso e aquilo. 
Cala essa boca. Vai dizer nada não. 
NÃO TE PER GUN TEI NA DA. 
Vai querer me dizer agora que sou 
o rei da caixa de Pandora? Ah tá, 
olha lá, ele é o rei da solidariedade 
e eu rei dos sacanas. Sacaneei quem? 
PA TI FA RIA isso daí. Agora vem 
um Quatrolhão qualquer da imprensa 
e acha que pode ficar ligado em quem 
é o rei e em quem não é. Não e nem.
Ué, se eu falei, falei. Não falei? Falei.
Falei então. Não falei não. Isso daí 
não falei que falei. Fora de contexto.
Quem falei? Se falei falei, não falei. 
Agora vem o Quatrolhão da imprensa, 
rei da irrealidade. Mentiroso. Patifão.
É TU DO FA KE NEWS PORRA. 
Então tá bom, se é o que você quer, 
sou o rei da merda pintada de ouro. 
Ficou satisfeito, radiante, jucundo?  
Sou o rei de dizer as coisas mesmo. 
Digo mesmo sem freio de rei, sem. 
Fui lá e comprei. Um animalzão. 
Doçura não tem. Não tenho também. 
Banquei, briguei, xinguei, errei? 
Mas virei rei não virei? Virei. 
E chapei de tanto que sou rei. 
Comprei o que ganhei. Comprei.
NÃO TE PER GUN TEI NADA.
Cala essa boca. Porríssima de boca. 
Só acredito se. Não é científico? 
Quem disse que não é? Pronto.
O que eu digo tá certo. Pronto.
O que eu disser. Cabô. Não tem.
PONTO FINAL. PONTO FINAL. 
Só acredito nisso daí mesmo vendo. 
Ué. Ué. Ué. Se sou o rei, sou o rei.
Pronto. Pronto e PONTO FINAL. 
Pro Quatrolhão da imprensa agora 
sou rei dos filhos da puta e pai deles? 
O quê? Ninguém me manda ni mim. 
Surjo em outro lugar. Ganhei. Surjo 
com minha arma. Ganhei. Ganhei. 
E me dei políticos. E me dei juízes. 
E delegados me dei. Até economista.
E até astrólogo me dei. E eu pistolei.
Muita gargalhada eu dei. E o Quatro 
da imprensa me chamou de abilolado. 
Abilolado porríssima NE NHU MA. 
Só acredito mesmo vendo. Não quero. 
A última coisa que quero é ver. Ver? 
Ver eu vejo que vejo que sou o rei.
Te revoltei quando voltei? Voltei 
pra queimar e queimar toda terra.
Olha o que tem de osso aí. Isso. 
Osso e mais osso e mais osso. 
De um país enterrado sou o rei.

Anauê Segurança Privada
Leia a quarta parte do poema/texto bélico de Luiz Felipe Leprevost

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