Mais ou menos vinte anos depois da minha última vinda, retorno à Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Vim a trabalho pela Biblioteca Pública do Paraná, que está com um estande no chamado Areal (só atravessar a ponte que você chega). Está havendo distribuição de livros e rodas de conversas com artistas da nossa terra. Tem sido gratificante.
Aproveitei a vinda para fazer uma sessão de autógrafos do meu livro As Crianças (ed. Tomaaíumpoema), na programação da Casa Gueto. A Toma Aí Um Poema é uma das editoras curitibanas que está ocupando a Casa Gueto. A programação por lá tem sido fantástica. A Casa Acaso, do outro lado do Centro Histórico, também é um dos redutos de escritores e músicos de Curitiba.
Fora isso, tem sido uma beleza encontrar os amigos na mais paranaense e curitibana Flip da história. Estamos em peso. E igualmente adorável tem sido topar amigos da literatura de todas as partes do Brasil. Não vou citar nomes porque a crônica ficaria extensa demais.
Ontem mesmo estava indo comer pizza com um grupo. No caminho encontrei um casal com os filhos, parei para dar oi, ganhei um livro. Nisso outro amigo vindo da esquina oposta, celular na mão, me acena tirando fotos minhas. Resultado: me perdi do grupo da pizza. Apresentei o do celular para o casal. E segui para outro rumo.
Bonito ver o alcance e a exuberância da obra do Paulo Leminski. De cachorro louco, de erudito da província, a farol nacional.
A programação excessiva, o equilíbrio nas pedras históricas, a beleza do lugar, tudo isso me deixa um pouco baratinado. Não sei bem onde ir, o que fazer. É um problema bom de se ter. É legal estar cercado de tanta criatividade, ao lado de pessoas talentosas que a gente admira, acompanha o trabalho, etc.
A primeira vez que vim para cá, eu era um jovem cheio de entusiasmo com poesia, identificado com a ideia do poeta marginal. Claro que, na verdade, eu não era exatamente isso. Viemos eu e o Alexandre França. O Fernando Koproski também veio e, como estava com a namorada, não participou das aventuras e das roubadas que França e eu nos metemos. Exceto, é claro, na noite em que devorou um mastodôntico podrão da praça, com salsicha, hambúrguer, queijos três ou quatro e sei lá mais o quê. Noutra noite França e eu encontramos o Yamandu Costa, que tinha acabado de fazer um show, e ficamos bebemos com ele. Foi divertido.
Um ou dois anos depois da minha primeira ida, voltei aqui. Agora, altamente envolvido com a cena da poesia falada do Rio de Janeiro. Lembro de circular por saraus mil. E de participar de um na casa do príncipe Orleans de Bragança. Foi dessa vez também que recebi uma dedicatória carinhosa e um baita incentivo da Adélia Prado.
Bom, por ora são estas as notícias. Desliguem o celular e vão ler um livro. Abraços.