A Polícia Federal poderá fazer diligências na 13ª Vara Federal de Curitiba, que teve como titular o ex-juiz Sergio Moro durante a operação Lava Jato. A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), é do dia 6 de outubro, segundo matéria publicada nesta sexta-feira (17) pelo jornal Folha de S.Paulo.
A decisão foi tomada no âmbito das investigações decorrentes de denúncias feitas pelo ex-deputado estadual do Paraná Tony Garcia. Ele relatou ao STF que foi obrigado por Moro a agir para obter informações sobre autoridades. Entre elas estariam ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o ex-governador Beto Richa (PSDB), que chegou a ser preso a 58ª fase da Lava Jato, no início de 2019. Moro, que é senador do Paraná pelo União Brasil, nega as acusações.

Tony Garcia foi preso em 2004, a mando de Sergio Moro, suspeito de gestão fraudulenta no Consórcio Nacional Garibaldi, liquidado pelo Banco Central em 1994. Em entrevistas, o empresário e ex-deputado vem afirmado que foi chantageado e usado como agente por Moro e pela força-tarefa da operação Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba. Ele teria a missão de obter informações sobre políticos, advogados e integrantes do Judiciário. Segundo Garcia, documentos em poder da 13ª Vara Federal de Curitiba comprovam a veracidade das denúncias.
À Folha, a assessoria de Sergio Moro informou que não teve acesso à decisão de Dias Toffoli. Para o ex-juiz, o inquérito foi instaurado “com base em um relato fantasioso de Tony Garcia". "O senador não tem qualquer preocupação com o amplo acesso pelo STF aos processos que atuou como juiz. Essas diligências apenas confirmarão que os relatos de Tony Garcia são mentirosos", afirmou a assessoria em nota.