Uma ação conjunta das forças policiais do Paraná ocorreu nas primeiras horas da manhã, em Paranaguá, no Litoral do Estado. A operação liderada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), contou com o apoio da Polícia Militar do Paraná (PMPR) e da Força Nacional.
O principal objetivo foi cumprir mandados judiciais expedidos contra investigados por homicídios relacionados à disputa pelo tráfico de drogas no município litorâneo. Foram 10 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão preventiva e seis de busca e apreensão. As diligências ocorreram em dois bairros da cidade conhecidos, Ilha dos Valadares e Porto dos Padres.
Na Ilha dos Valadares, um dos bairros mais populosos de Paranaguá, houve confronto entre a polícia e um suspeito de homicídio com mandado de prisão. O homem estava dentro de uma casa, na Vila Nova, e resistiu a abordagem policial, quando foi alvejado por tiros.
Três mandados de prisão foram cumpridos e uma pessoa foi presa em flagrante pelo crime de tráfico de drogas. De acordo com o delegado da Polícia Civil, Nilson Diniz, os alvos da operação são suspeitos de participação em homicídios ocorridos neste ano em Paranaguá. Um dos casos apurados envolve o desaparecimento de um adolescente, de 17 anos, ocorrido em março deste ano. O corpo da vítima foi localizado dias depois na Ilha dos Valadares.
“Outro caso que a polícia já vinha investigando é o sequestro e homicídio de um homem e uma mulher registrados em abril. As duas vítimas foram retiradas de um estabelecimento comercial na Ilha dos Valadares e encontradas mortas em uma área de manguezal na mesma região”, disse.
Tribunal do crime
Segundo a PCPR, os crimes investigados têm possível ligação com conflitos entre grupos do tráfico de drogas. A polícia apura ainda a participação do “Tribunal do Crime” nas execuções. As diligências seguem em andamento para localizar outros suspeitos.
Os “julgamentos” internos que as facções fazem para punir integrantes ou rivais, geralmente é ligado a dívidas de drogas, traição, roubo dentro da facção ou quebra de regras do grupo. As lideranças locais da facção decidem a punição, que pode ir de espancamento até a morte. A pena é aplicada por membros designados e em muitos casos de homicídio, há sinais de tortura atribuídos a esses tribunais.
Investigações
Quando a Polícia Civil aponta que crimes têm relação com conflitos do tráfico, o tribunal do crime costuma aparecer em três situações: a vítima devia dinheiro para o tráfico ou foi acusada de delatar alguém, grupos rivais matam para assumir pontos de venda de drogas ou facções executam membros que descumprem ordens.
Por isso, quando há homicídios com excesso de violência, vídeos de “julgamentos” ou mensagens citando “tribunal”, a PCPR inclui essa linha na investigação. O objetivo é identificar quem ordenou, quem executou e qual facção está por trás.