Sabe cacareco?
Uma bailarina de gesso, um mini porta retrato colorido, um vasinho de flor de plástico, uma lembrança de um batizado que eu nem fui de uma criança que eu nem sei quem é... cacareco, sabe?
Sou contra.
Sou contra porque não tem coisa mais insuportável do que limpar uma estante que tem 3.456 pequenos cacarequinhos.
Você tem que tirar um a um, limpar e recolocar um a um.
Sem condições.
O que levaria 20 segundos da sua vida, passa a tomar 20 minutos.
E eu não tenho tempo, porque tempo é dinheiro e eu não tenho dinheiro.
Mas já foi pior. Quando eu era criança, cada cacareco tinha um tapetinho embaixo.
Lembram disso?
Cada mini coisinha inútil de enfeite era OBRIGATORIAMENTE colocada descansando em cima de um paninho de crochê.
PROS BONITO DOS CACARECO NÃO SUJAR OS PÉS.
Então eram 46.272 cacarecos em cima de 46.272 tapetinhos de cacareco.

Fico feliz que evoluímos enquanto sociedade no momento que abolimos os tapetinhos de cacareco, embora os cacarecos permaneçam, o que é uma pena.
Mas confesso que algumas dessas “evoluções” sociais da estética minimalista do lar brasileiro, me deixam triste.
Dia desses fui a um a peça de teatro e, em algum momento, falaram sobre aqueles vestidos que os bujões de gás costumavam vestir uns bons 30 anos atrás.
Sabe? Vestidinho de botijão?
Aí fiquei superchateada porque meu bujão não tem vestido.
Nem saiote.
Nem um boné.
Nada. Nadinha.
Nu.
Meu bujão está nu.
E assim... Os vestidinhos de bujão tinham BORDADOS, sabe?
Desenhos. Barrinhas com crochê. Pintura a dedo... Sei lá!
Tenho quase certeza que EU, enquanto ser-humana pessoa mulher bonita pra caramba toda natural, nunca tive um vestido bordado pintado à mão com lacinho e barrado de crochê feito pelas mãos delicadas de uma avó.
Nunquinha.
Então vocês imaginem a importância (e elegância) de um botijão no contexto histórico-psico-social das cozinhas dos anos 90!
Não só o bujão.
O liquidificador.
A batedeira.
O galão de água...
Todos de vestidinhos combinandinho com laçarotes e barrado.
E agora... Nus. Todos nus.
O que é que rolou com nossos eletrodomésticos/utensílios de cozinha?
Não sei se eu aceito isso, aí.
Nem um bustiê, sabe? Nem um chapéu cata-coco. Nem uma meia calça fio 20 cor pó-de-arroz.
Acho que a gente mandou bem quando aboliu os tapetes de cacareco, mas se perdeu enquanto sociedade quando parou de bordar vestidos para o botijão.
Equilíbrio é importante!
Não sei se vocês tão acompanhando meu raciocínio, mas do bujão pelado para o fim da humanidade em completo caos, é um pulinho de nada. Tenho certeza.
Por isso, encarecidamente, eu peço: protejam seus panos de prato de galinha com frase da bíblia. Se for preciso LUTEM POR ELES!
Conto com vocês.
Obrigada.