O Mercosul e a União Europeia (UE) assinaram neste sábado (17), em Assunção (Paraguai), o acordo de livre comércio negociado ao longo de 26 anos. A cerimônia foi marcada por discursos em defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras.
A formalização ocorre após o desfecho ter sido adiado em dezembro, quando a assinatura era esperada durante a cúpula do Mercosul realizada em Foz do Iguaçu. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a União Europeia solicitou mais tempo para discutir salvaguardas agrícolas, diante da pressão exercida por produtores rurais em países do bloco europeu.
Anfitrião do evento em Assunção, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou a assinatura como um “dia verdadeiramente histórico” e afirmou que o tratado era aguardado por permitir a união de dois dos principais mercados globais. Segundo ele, o acordo demonstra que o diálogo, a cooperação e a fraternidade foram capazes de superar 26 anos de impasses.
Peña também destacou o empenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na conclusão do entendimento. “Sem o presidente Lula, talvez não tivéssemos chegado a este dia”, afirmou, ao atribuir a von der Leyen papel decisivo no fechamento das negociações.
Pelo lado europeu, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que o pacto reafirma a crença de países dos dois blocos no comércio justo e no multilateralismo. Para ele, o texto envia “uma mensagem clara ao mundo” em defesa do comércio baseado em regras, do direito internacional e da cooperação entre regiões. Costa avaliou que o acordo chega “em momento oportuno” por representar uma aposta na abertura e no intercâmbio, diante do isolamento e do uso do comércio como arma geopolítica.
Ursula von der Leyen afirmou que o acordo tem potencial de conectar continentes e formar a maior área de livre comércio do mundo, com um mercado de 700 milhões de pessoas. “Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos parcerias de longo prazo em vez de isolamento”, disse.
Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, repetiu a declaração de Lula de que o acordo é uma prova da força do mundo democrático e do multilateralismo. Vieira afirmou que o tratado estabelece uma parceria com potencial econômico e relevância geopolítica e listou ganhos esperados, como empregos, investimentos, integração produtiva e ampliação do acesso a bens e serviços, além de inovação tecnológica e crescimento com inclusão social, em um ambiente internacional marcado por imprevisibilidade, protecionismo e coerção.
Com a assinatura, o texto segue para a fase de aprovação. O acordo será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos países do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial depende dessas autorizações legislativas e está prevista para ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos anos.