“Lamentações: historiografia em terras estrangeiras”, sexto livro de Lucas Haas Cordeiro será lançado neste sábado (7), das 14h às 18h, na Coffeeterie. O romance publicado pela Kafka Edições, se passa na Buenos Aires contemporânea de 2016, no Brasil indígena amazônico de 1694 e no império persa de 1599, que, de alguma forma, se conectam em conquistas, dramas e experiências espirituais.
Um gênero anacrônico
O anacronismo da obra é justificado pela visão do romance como um gênero anacrônico, sem apelo popular atualmente, mas que sobrevive pela necessidade de escrever, partindo de experiências pessoais mediadas por influências da produção literária da humanidade. Assim, o anacronismo desta obra tem ecos da história, filosofia e literatura, e também de Umberto Eco, Thomas Mann, Rumi, David Foster Wallace e da coleção Vagalume, segundo a equipe editorial e o autor.
Cordeiro diz que a literatura é um diálogo com os mortos do passado, mas também do futuro, os que ainda não nasceram. O livro também ecoa as suas obras anteriores, com a combinação entre erudição e sensibilidade. “Lamentações: historiografia em terras estrangeiras” o autor, que também é professor e revisor, mostra que “O tempo é o resto do desejo”.
Três momentos conectados
A obra convida o leitor a navegar por três momentos históricos. O capítulo “Nas catacumbas de Isfahan” se passa no império persa de 1599, tendo como figura de referência o Xá da Pérsia, Abbas I, da dinastia dos Safávidas – um líder que de fato existiu, chegou ao poder aos 16 anos, governou entre 1588 e 1629 e ainda hoje é lembrado como um dos maiores governantes que já passaram pelo atual Irã. Entre o primeiro e o segundo texto, há uma passagem para uma imersão histórica e linguística pelas missões exploradoras da terra brasilis do século 17, com o relato de uma expedição de persas e europeus em direção ao Velho Continente.
O texto “Tesouros da história indígena” se apropria de expressões facilmente reconhecidas para quem já se aventurou a ler as cartas dos missionários jesuítas da época (no caso, o ano de 1694). E carrega o leitor, que já havia passado pelo Oriente Médio e por Portugal, para os confins profundos do Amazonas. Então ganham dimensão, também, as poderosas figuras das mulheres Xá-Imãnicas.
A capital argentina surge no capítulo “Nos Trilhos do Trem” como o futuro distópico de um país que se fecha a toda influência estrangeira. Carregado por influências da psicanálise, o capítulo se conecta aos anteriores, de formas tão coerentes quanto surpreendentes, como a referência direta a Rafael Cordeiro, irmão do autor e morador de Buenos Aires, em uma inserção que faria orgulho à mãe, a professora de português Helena.
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Lucas Haas Cordeiro
O autor curitibano é o temporão de quatro filhos homens de Helena e Altevir. Nunca deixou de viver na capital paranaense, onde explorou seu espírito de flanêur na juventude. Já trabalhou em bar, já teve moto, é professor de inglês, quase concluiu a faculdade de Psicologia, gosta de música eletrônica e Pink Floyd, conhece bem a Ilha do Mel e as obras de Sigmund Freud. Sua única filha, a quem ele já apresentou, por exemplo, as sagas “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis”, completa 12 anos no mesmo fim de semana do lançamento de “Lamentações”.
Antes desta obra, publicou dois volumes de poesias: “Sussuro & Codeína”, lançado em 2006, e “Absoleto”, de 2018, com seus versos. Entre 2015 e 2018, lançou dois romances, “Seis vozes para a Fuga” e “Pavão de seis cores”, e uma novela, chamada “Nouvelle World: nas Sendas do Abismo”.
Lançamento do livro "Lamentações: historiografia em terras estrangeiras"
De Lucas Haas Cordeiro.
Dia 7 de dezembro, sábado, das 14 às 18h, na Coffeeterie (Largo da Ordem).
Edição à venda no local à R$ 65. A partir do dia 8 o romance entra em venda online no site da Kafka Edições.