A Câmara de Curitiba viveu nesta quarta (2) mais um dia de histrionismo político, dessa vez causado pela temática do aborto. O que detonou as discussões foi a presença da vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Marina de Pol Poniwas, convidada para falar sobre a resolução que determinou como se deve proceder no caso de crianças e adolescentes que fiquem grávidas por meio de estupro.
A resolução do Conanda ampara crianças vítimas de estupro, por exemplo, que decidam realizar um aborto ainda que os pais sejam contrários. A ideia é dar uma maior autonomia até mesmo para evitar que o próprio estuprador (muitas vezes parte da família) possa interferir na decisão, revitimizando a criança.
No entanto, os vereadores mais à direita da Câmara têm um entendimento completamente diferente e desde a primeira intervenção deixaram claro que muitos deles não estavam dispostos ao diálogo. Marina chegou a ser chamada mais de uma vez de assassina de crianças e o presidente da Câmara, Tico Kuzma (PSD), precisou alertar que a Corregedoria estava atenta e que os abusos poderiam ser levados a Conselho de Ética.
A discussão levou quarenta e cinco minutos e, indignados, os vereadores que se autointitulam como pró-vida, pediram ainda a prorrogação, para que todos pudessem deixar claro nas redes sociais que estavam se exaltando contra a presença do Conanda na Câmara. A prorrogação, porém, não foi aceita, e os vereadores acabaram passando para a votação dos projetos do dia.