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Candidato a presidir o PT, Rui Falcão pede votos em Curitiba e fala contra "despolarização"

Deputado diz que campanha de reeleição de Lula deve ser "a quente" e quer presidente defendendi fim da escala seis por um

Candidato a presidir o PT, Rui Falcão pede votos em Curitiba e fala contra "despolarização"
Rui Falcão com os deputados Tadeu Veneri e Professor Lemos. Foto: Tami Taketani/Plural
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O deputado federal Rui Falcão escolheu Curitiba para sua primeira viagem oficial, paga pelo partido, para pedir votos. Candidato à presidência nacional do Partido dos Trabalhadores, aproveitou a ocasião para espicaçar o principal oponente na disputa, Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara. "Eu estou viajando conforme o estatuto permite. O outro candidato está viajando há seis meses, e isso que a regra nem permite uso de aviões cedidos por empresários", afirmou.

Falcão fez um encontro com as tendências mais à esquerda do PT e disse que sua plataforma é fazer com que o partido volte a ser mais combativo. Segundo ele, o PT tem que atrais o Centro, e não ser atraído por ele. Em sua carta à militância, Falcão, que foi um dos raros presidentes do partido oriundo das correntes mais à esquerda, disse que é preciso evitar o discurso da "despolarização". "Os caras estão vindo com tudo pra cima da gente e a gente vai ficar sem reagir", reforçou nesta sexta, na sede estadual do PT, em Curitiba.

Acompanhado por dois dos candidatos à presidência do PT no Paraná - Tadeu Veneri e Hermes Leão -, apresentou críticas não apenas ao adversário mas ao próprio governo Lula. "Todo o respeito ao Lula, que é nosso maior líder e nosso candidato. Mas nós precisamos ter o direito de apresentar críticas", disse ele. Falcão, assim como grande parte das tendências mais à esquerda, acha que o governo atual de Lula peca por ceder demais ao Centrão e por não bater mais de frente com os militares.

"Mas o Lula tem dado declarações animadoras", disse ele. "O exemplo maior foi a adesão dele, anunciada no Primeiro de Maio, à PEC que extingue a escala 6 por 1", disse o deputado, em referência à proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL). Segundo Falcão, sem retomar a base histórica do partido, será impossível ganhar a disputa presidencial no ano que vem.

"Eu defendo uma campanha presidencial a quente. Mas não é só a eleição, o partido precisa reencontrar suas raízes, fazer política no cotidiano", disse. Falcão disse discordar da avaliação de alas mais moderadas do PT que veem um mundo do trabalho diferente que exigiria novos métodos e uma nova política. "Claro que as relações de trabalho mudaram, mas a opressão e a exploração continuam iguais, e esse é o principal", afirmou.

Falcão também elogiou a ministra Gleisi Hoffmann, que o sucedeu na presidência do partido e que só recentemente, ao ir para o governo, deixou o cargo após dois mandatos. "Eu tenho divergências políticas com a Gleisi, mas não há como negar que ela enfrentou com firmeza um período muito difícil do partido, com o Lula preso", afirmou.

Sobre a eleição para o governo do Paraná, no ano que vem, Falcão preferiu não dizer qual caminho o partido deveria seguir. "Não pode vir de cima para baixo, tem que haver discussões aqui", disse. "Mas o que eu posso dizer é que às vezes é melhor você perder com uma candidatura que marque posição para o partido do que pegar alguém de fora, que até tem mais votos, mas não tem as nossas causas", disse.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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