O Conselho Municipal de Turismo de Foz do Iguaçu (COMTUR) criticou a condução da decisão anunciada pela Receita Federal que proíbe, a partir de 19 de janeiro, o tráfego de ônibus em fretamento eventual ou turístico pela Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este (Paraguai).
Pela nova regra, esses veículos deverão cruzar exclusivamente pela Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, das 19h às 7h.
Segundo a Receita Federal, a mudança integra a “segunda fase da abertura progressiva” da Ponte da Integração e decorre de tratativas conduzidas no âmbito da Comissão Mista Brasil–Paraguai, via Ministério das Relações Exteriores (MRE).
O comunicado informa ainda que foi firmado acordo bilateral com novas regras sobre o tráfego de veículos na região e orienta transportadores a cumprir as novas disposições.
COMTUR critica ausência de diálogo e diz que turismo é tratado como detalhe
Em manifestação pública, entidades, empresários e trabalhadores do setor, representados pelo COMTUR, afirmam que decisões estratégicas têm sido tomadas “em instâncias superiores”, sem diálogo prévio com quem atua diariamente na fronteira.
A nota sustenta que a mudança desconsidera a dinâmica do turismo binacional e pode afetar diretamente agências, transportadoras turísticas, eventos, hotéis, guias e outros segmentos da cadeia produtiva.
O documento também argumenta que a Ponte da Integração deveria preservar a Ponte da Amizade, considerada histórica e turística, como rota preferencial para o turismo, já que o comércio voltado ao visitante está concentrado no entorno da travessia.
“O turismo não é um detalhe operacional, tampouco um setor secundário”, diz o posicionamento, que cobra ampliação de diálogo e fortalecimento de governança integrada entre turismo, logística e transporte.
Secretaria de Turismo aciona Congresso Nacional e MRE para tentar reverter medida
O secretário municipal de Turismo de Foz do Iguaçu, Jin Bruno Petrycoski, afirmou que a pasta iniciou articulações na esfera federal, com contatos no Congresso Nacional e no Ministério das Relações Exteriores (MRE), para tentar reverter a proibição de ônibus de turismo na Ponte da Amizade.
“A expectativa é de que, nos próximos dias, haja um resultado favorável e de que o turismo não continue sendo impactado negativamente por uma decisão que desconsidera a realidade de quem vive aqui”, finaliza.