Londrina - Homens com idade média de 46 anos, baixa escolaridade e donos de caminhões com cerca de 15 anos de uso — a maioria já quitados. Sedentários, com renda “líquida” mensal de R$ 14 mil, trabalhando 14 horas por dia e sem tirar férias. Esse é o retrato do caminhoneiro autônomo brasileiro traçado pela 3ª edição da Pesquisa Nacional CNTA sobre a Realidade do Transportador Autônomo de Cargas.
O levantamento da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, divulgado nesta terça-feira (9), mostra que a categoria é esmagadoramente masculina: 99,7% dos motoristas são homens. A média de idade é de 46 anos, e 34% dos profissionais têm 50 anos ou mais.
Em relação à formação, 44% têm ensino fundamental incompleto, só 24% completaram o ensino médio e apenas 1% concluíram uma faculdade.
A frota usada pelos autônomos é majoritariamente antiga. Os caminhões têm, em média, 15 anos de uso, e 71% já foram totalmente quitados.
A rotina de trabalho também é pesada: a jornada média é de 14 horas por dia, e os profissionais passam cerca de 16 dias por mês longe de casa.
A remuneração não é ruim. O faturamento bruto mensal médio é de R$ 46 mil, mas o valor considerado como renda líquida fica em R$ 14 mil.
O descanso e o lazer ficam em segundo plano. Quase metade dos motoristas (48,5%) não tira férias nunca.
Quanto à satisfação profissional, 59,3% dos entrevistados dizem não se sentir valorizados, embora pretendam continuar na atividade.
A segurança nas rodovias aparece como preocupação recorrente: 58% afirmam nunca se sentir seguros, e 40% já sofreram roubo ou furto de carga.
Apesar da renda mensal de R$ 14 mil, a pesquisa indica que a profissão perdeu atratividade. Isso é confirmado pelo envelhecimento da categoria e pelo fato de 86% dos filhos dos caminhoneiros não desejarem seguir a carreira dos pais.
Questionado sobre a aparente contradição, o assessor institucional da CNTA, Alan Medeiros, explica:
“Não dá para considerar R$ 14 mil exatamente como renda líquida. Normalmente, o caminhoneiro tira do frete o que gastou com diesel e um ou outro custo, como pneus. Mas, em geral, o autônomo não tem educação financeira. Por isso, não desconta várias despesas do dia a dia na estrada, tampouco a depreciação do veículo para calcular a renda líquida.”
Ele reconhece que, ainda assim, a remuneração é superior à de outras ocupações que não exigem alta escolaridade. Mas não o suficiente para atrair os jovens. “As novas gerações preferem ganhar menos e trabalhar menos horas, poder ficar em casa com a família, trabalhando de Uber, por exemplo. Quem encara a rotina de ficar duas, três semanas fora, sem ver a família?”, questiona.
Confira a pesquisa na íntegra aqui.