O termo “velhas caveiras” transmite a ideia de tempo e experiência acumulados, mas, quando se trata do bar que leva esse nome, em Curitiba, é preciso mudar o conceito. Os sócios Edegar Sicuro e Carlos Eduardo Ferreira nunca haviam administrado um boteco antes. Em comum, tinham apenas a amizade de infância. Desde que abriram e herdaram o nome da casa, porém, no nem tão distante bairro Guabirotuba, parece que nunca fizeram outra coisa. O local já faz parte da rotina da região e serve petiscos típicos a preços convidativos.
Poucas coisas são industrializadas ali. O torresmo de rolo, por exemplo, é comprado pronto de um fornecedor local e frito na hora, lentamente. Chega à mesa quentinho e crocante, acompanhado de limão e de uma pimenta da casa na medida da ardência. Suave até, para quem gosta. Custa R$ 34,90 (já vi bares vendendo a R$ 60 por aí). É um dos carros-chefe da casa, junto à porção de bolinhos de carne.

Esse, sim, é feito ali, pela cozinheira Ana Paula Sicuro, irmã de Edegar. Ela guarda a receita a sete chaves, mas o bolinho é bem temperadinho, macio por dentro e crocante por fora. Digno de uma comida de boteco de respeito. A porção com 10 unidades também custa R$ 34,90 e vem acompanhada de pão de alho. Já o pão com bolinho é outra receita da casa, que está participando do Festival do Pão com Bolinho com “ajustes”.
Embora o pão com bolinho seja vendido a R$ 19,90, seja o mesmo, o preço durante o festival, que vai até abril, fica mais salgado: R$ 27. “Como é preço único, acrescentamos batata frita para compensar”, justifica Sicuro.

No princípio, tudo era nada (contém ironia)
Antes de conciliar preços, montar e atender mesas, atender no balcão no estilo “Aqui não é Madalosso, pega você a cerveja”, comprar insumos e fazer a programação do bar, ele era professor de natação. O ano era 2019 quando o amigo de infância, Carlos Eduardo Ferreira, falou que queria montar um boteco ou uma distribuidora de bebidas. “Foi em um passeio de moto que conheci o ex-dono do local, que estava interessado em vender. Falei para Carlos, que na época tinha uma franquia de escola de matemática, e ele me convidou para ser sócio.”
Pronto. Resolveram assumir juntos a empreitada inédita. Compraram o bar como estava antes, mas precisando de muitas melhorias. Aos poucos, foram transformando de dentro para fora e vice-versa. Substituíram as mesas de plástico, arrumaram a calçada, que hoje abriga mesas e guarda-sóis convidativos, e, aos poucos, mudaram o cardápio. “No começo, só tinha três tipos de porção: batata, calabresa e alcatra. E às vezes um cliente ou outro se aventurava na cozinha. Com o tempo, fomos incluindo as nossas receitas, como o bolinho, que é um dos carros-chefe”, conta.
Tudo ia bem até que veio a pandemia (essa frase já é um clichê, eu sei). “Eu não me arrependi, mas confesso que fiquei bem preocupado. Eu ainda não tinha parado de dar aula de natação, e as aulas foram suspensas, o bar não podia abrir e as contas foram acumulando”, lembra.

Vencido o desafio dos tempos sombrios, ele e o sócio continuaram firmes, acreditando no diferencial do bar: um atendimento próximo e diferenciado e na gastronomia autêntica de boteco. Com o tempo, o público foi se firmando. A maioria é de motoqueiros e amantes do rock, como remete o nome do bar, mas também de moradores próximos ou nem tão próximos, que chegam atraídos pelo boca a boca.
Com capacidade para 120 pessoas sentadas, a casa segue cheia em qualquer clima, faça chuva ou faça sol. No meio do movimento constante, Edegar alimenta um desejo: ter um gerente para deixar o balcão e ganhar o salão, circulando entre as mesas para ouvir, de perto, o que mais importa, gente que veio de longe e do bairro só para estar ali e conferir a experiência que transformou o lugar em destino.
Serviço
Endereço: Av. Sen. Salgado Filho, 2385 – Guabirotuba, Curitiba – PR
Horário de funcionamento: De terça a quinta, das 17h às 23h30; sexta e sábado até 1h; domingo até 23h30; fechado às segundas.