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Milei elogia pressão de Trump sobre Venezuela e contraria Lula na Cúpula do Mercosul

Divergência entre Brasil e Argentina marca encontro em Foz do Iguaçu, encerrado com nota de “desapontamento” pela não assinatura do acordo com a União Europeia

Milei elogia pressão de Trump sobre Venezuela e contraria Lula na Cúpula do Mercosul
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A 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada neste sábado (20) em Foz do Iguaçu, foi marcada pelo confronto político direto entre Brasil e Argentina sobre a crise na Venezuela, explicitado nas falas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Javier Milei.

Ontem (19), o presidente Donald Trump disse em entrevista a uma TV americana não descartar uma guerra contra o regime de Nicolás Maduro. 

Em seu discurso, o presidente argentino Javier Milei atacou o governo venezuelano e defendeu o agravamento da pressão internacional. Classificou o regime como uma “ditadura atroz e inumana” e afirmou que a Argentina “saúda a pressão exercida pelos Estados Unidos e por Donald Trump para libertar o povo venezuelano”. Para Milei, o Mercosul deve abandonar o que chamou de uma postura hesitante diante de Caracas.

A posição contrastou com a apresentada pelo anfitrião do evento, o presidente Lula. Sem mencionar Milei, o petista tratou o tema sob a ótica da soberania e do direito internacional. Alertou para os riscos de uma escalada militar no país vizinho e afirmou que “uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”.

A divergência ganhou força diante da cúpula concebida para reafirmar a coesão política do bloco ao fim da presidência brasileira. Ao término da reunião, os chefes de Estado divulgaram um comunicado conjunto no qual registraram “desapontamento” com a não assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia, atribuída à falta de consenso político nas instâncias europeias. O documento não menciona nada sobre o tema Venezuela.

Mais divergências
Horas antes, em seu pronunciamento, Milei conclamou os demais integrantes do bloco a condenarem de forma inequívoca o que chamou de “experimento autoritário” e voltou a cobrar a libertação de presos políticos, incluindo a de um cidadão argentino que, segundo ele, estaria detido ilegalmente no país.

Lula respondeu em sentido oposto e defendeu a via multilateral e o fortalecimento das instituições democráticas. Ao falar sobre ameaças à soberania regional, afirmou que elas se manifestam hoje “sob a forma da guerra, das forças antidemocráticas e do crime organizado” e ressaltou que a estabilidade da América do Sul depende da preservação dos regimes democráticos, não da ampliação de conflitos armados.

A Venezuela está suspensa do Mercosul desde 2016, por violação da cláusula democrática, mas segue como um dos temas mais sensíveis nas relações entre os países-membros.

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