Foz do Iguaçu teve neste domingo, na Feirinha da JK, um ato contra a emenda apresentada na Câmara dos Deputados que prevê adiar para 2036 a redução da jornada semanal de trabalho e o fim da escala 6×1 no Brasil.
A mobilização ocorre às vésperas da votação do relatório apoiado pelo governo Lula que propõe reduzir a carga semanal de 44 para 40 horas, implantar a escala 5×2 e manter os salários. Em sentido oposto, a emenda apresentada pelos deputados Tião Medeiros (PP-PR) e Sergio Turra (PP-RS) posterga as mudanças nas regras da jornada de trabalho por até dez anos.
O protesto integra a ofensiva nacional organizada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que articulam atos em diferentes cidades brasileiras até a votação prevista para quarta-feira (27).
O calendário inclui mobilizações nos estados neste sábado (23), manifestações nacionais no domingo (24), ofensiva digital e ato político em São Paulo na segunda-feira (25), além de jornadas de pressão em Brasília e nos estados na terça-feira (26).
No Paraná, metade da bancada federal aderiu formalmente à emenda. Quinze dos 30 deputados federais do estado assinaram o texto que posterga para 2036 a redução da carga horária e o fim da escala 6×1.
Assinaram a emenda os deputados paranaenses Pedro Lupion (Republicanos), Tião Medeiros (PP), Sargento Fahur (PL), Beto Richa (PSDB), Luisa Canziani (União Brasil), Felipe Francischini (Podemos), Vermelho (PL), Dilceu Sperafico (PP), Geraldo Mendes (União Brasil), Luiz Carlos Hauly (Podemos), Luiz Nishimori (PSD), Padovani (PP), Paulo Litro (União Brasil), Sergio Souza (MDB) e Toninho Wandscheer (PP).
Em Foz do Iguaçu, a disputa atinge diretamente setores como turismo, hotelaria, gastronomia e comércio, marcados por jornadas em fins de semana, feriados e alta rotatividade de mão de obra. A cidade possui uma economia fortemente dependente do setor de serviços e do funcionamento contínuo de hotéis, bares, restaurantes e atrações turísticas.
Nas últimas semanas, entidades patronais passaram a pressionar contra a redução obrigatória da jornada. O Sindhotéis Foz afirmou que hotéis, bares e restaurantes precisariam ampliar em pelo menos 20% o quadro de funcionários para manter operações contínuas durante feriados, alta temporada e funcionamento 24 horas.
Do outro lado, sindicatos e movimentos trabalhistas intensificaram críticas à sobrecarga, ao desgaste físico e à exaustão mental enfrentados por trabalhadores submetidos a jornadas prolongadas no setor de serviços, especialmente em atividades ligadas ao turismo e ao comércio.
A presidente municipal do PT em Foz do Iguaçu, Valentina Rocha, destacou a importância da mobilização contra a emenda. Durante seminário realizado na Câmara Municipal pela comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a redução da jornada, Valentina associou a mudança nas regras trabalhistas à defesa do tempo livre, da convivência familiar e da qualidade de vida da classe trabalhadora.
“A luta pelo fim da escala 6×1 é uma luta por dignidade, saúde mental, qualidade de vida e justiça social. Ocupar as ruas neste momento é fundamental para pressionar o Congresso e mostrar quem vota pelos trabalhadores e quem atua para manter jornadas exaustivas no país”, declarou.