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Aluna venezuelana desmaia durante ataque xenofóbico em colégio estadual em Cascavel

Mãe denuncia xenofobia e diz que direção desaconselhou BO após a segunda agressão; Seed afirma que orientou o registro, e Conselho Tutelar cobra atas

Aluna venezuelana desmaia durante ataque xenofóbico em colégio estadual em Cascavel
Segundo a mãe, a direção do Colégio Estadual Olinda Truffa de Carvalho desaconselhou o BO após o segundo ataque para evitar a exposição da escola na imprensa. Foto: Divulgação
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Uma estudante venezuelana de 15 anos foi espancada e desmaiou quando voltava para casa no último dia de aula do Colégio Estadual Olinda Truffa de Carvalho, em Cascavel, no oeste do Paraná.

“Começaram com bullying e xenofobia dentro da escola. Falavam que ela era lixo e jogavam comida em cima dela”, afirmou ao Plural Yurelis Josefina Suveiro Portas, mãe da adolescente.

Segundo Yurelis, a agressão de 10 de julho foi a terceira sofrida pela filha. As duas anteriores ocorreram dentro da escola e teriam sido precedidas por provocações relacionadas à origem venezuelana da estudante e à dificuldade dela para falar português com fluência.

Após o segundo episódio, Yurelis conta que informou à diretora que procuraria a polícia, mas foi desencorajada a registrar boletim de ocorrência.

“Ela falou que não, que a última coisa que a gente fazia era chamar a polícia, porque daí vinha o jornal e a escola ficava implicada”, relatou. “Eu me culpo porque não tinha que ter confiado nela.”

Procurada pelo Plural ontem (14), a direção do colégio informou que não tinha autorização para se manifestar e encaminhou a reportagem ao Núcleo Regional de Educação de Cascavel. O NRE remeteu as perguntas à Secretaria de Estado da Educação.

Em nota, a Seed afirmou que a família venezuelana foi orientada a registrar o boletim de ocorrência, mas não esclareceu se isso ocorreu após a segunda agressão, quando Yurelis diz ter anunciado que procuraria a polícia, ou somente depois do terceiro ataque. A pasta também não confirmou nem negou que a diretora tenha desaconselhado o registro.

Yurelis procurou o Conselho Tutelar Sul em 13 de julho. Rosicler Castro, conselheira tutelar que acompanha o caso, informou que a adolescente é cardiopata e passou por exame no Instituto Médico-Legal. Segundo o relato recebido pelo órgão, a jovem desmaiou durante o espancamento e continuou sendo agredida.

Ontem (14), o Conselho notificou o colégio e requisitou as atas dos atendimentos da vítima, da família e das adolescentes apontadas como agressoras, além dos registros dos dois ataques anteriores.

BO registra ferimentos no rosto, na cabeça e na mão

A agressão ocorreu entre 12h05 e 12h10, na Rua Três Amigos, no bairro Universitário. Quando a polícia chegou, a adolescente era atendida pelo Siate e foi levada à UPA Veneza.

A primeira página do Boletim de Ocorrência nº 2026/907206, obtida pelo Plural, registra escoriação no rosto, contusão na cabeça e ferimento na mão. A vítima relatou ter sido agredida por três adolescentes matriculadas no mesmo colégio.

O documento não menciona desmaio, pedras, ofensas xenofóbicas nem os dois ataques anteriores. Esses elementos integram o relato de Yurelis.

Imagens obtidas pelo Plural mostram a adolescente sendo perseguida por ao menos três garotas. Em um dos momentos registrados, quando a jovem já está caída, uma delas desfere um chute contra a cabeça da vítima. As gravações não permitem determinar, isoladamente, quantas pessoas participaram de toda a agressão nem sua motivação.

Yurelis relata que o grupo aguardava a filha perto de um mercado, após a saída da escola. Pedras teriam sido lançadas contra as costas da adolescente, que tentou fugir enquanto ouvia gritos de “pega ela”.

“Pegaram minha filha e começaram a bater e a chutar até ela desmaiar. Ela desmaiou e continuaram chutando.”

Moradoras encontraram a jovem caída e acionaram o socorro, segundo a mãe. Uma unha do dedo médio da mão esquerda também teria sido arrancada durante a agressão.

O caso segue sob apuração do Conselho Tutelar e deverá ser levado à Justiça. “Eu fiz tudo o que podia para proteger minha filha. Agora quero que as responsáveis pelas agressões sejam identificadas e respondam pelo que fizeram”, finaliza Yurelis.

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