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Cúpula em Foz do Iguaçu testa otimismo de Lula em acordo Mercosul–UE

Presidente diz esperar “boa notícia”, mas Itamaraty admite entraves com salvaguardas europeias

Cúpula em Foz do Iguaçu testa otimismo de Lula em acordo Mercosul–UE
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A cúpula do Mercosul confirmada para este sábado (20), em Foz do Iguaçu, colocará à prova o otimismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto à assinatura do acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e a União Europeia, negociado há mais de duas décadas. O encontro marca o encerramento da presidência pro tempore brasileira do bloco.

Lula afirmou nesta terça-feira (16) que espera uma “boa notícia” ao fim da reunião. A declaração foi feita durante evento do Conselho de Participação Social, no Palácio do Planalto, em Brasília. O presidente confirmou presença na cúpula e destacou a dimensão econômica do tratado, que envolve um mercado de cerca de 722 milhões de pessoas e um PIB estimado em US$ 22 trilhões.

O bloco europeu ocupa hoje a segunda posição entre os parceiros comerciais do Brasil, com intercâmbio superior a US$ 92 bilhões. A expectativa do governo é que o entendimento amplie a diversificação das relações comerciais do país, considerada estratégica, e contribua para a atualização do parque industrial brasileiro, por meio de maior integração às cadeias produtivas da União Europeia.

A reunião em Foz do Iguaçu deve contar com a participação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Para o governo brasileiro, a presença da principal autoridade do Executivo europeu tem peso político, mas não elimina os entraves ainda existentes.

“O Brasil trabalha com a expectativa de assinar o acordo no sábado, mas as salvaguardas são motivo de preocupação”, pontuou a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Gisela Padovan. As medidas em debate no Parlamento Europeu buscam proteger produtores do bloco, sobretudo do setor agropecuário.

A França lidera a resistência ao acordo. Autoridades e representantes do setor agrícola afirmam que o tratado não assegura padrões ambientais equivalentes aos exigidos na União Europeia e pode ampliar a entrada de commodities sul-americanas a preços mais baixos. Do lado brasileiro, há receio de que exigências ambientais e sanitárias sejam usadas como barreiras não tarifárias.

A escolha de Foz do Iguaçu como sede da cúpula reforça o caráter simbólico do encontro. A cidade foi palco de marcos decisivos da integração regional, como a Ata do Iguaçu, de 1966, que lançou as bases da cooperação entre Brasil e Paraguai, e a Ata de Foz do Iguaçu, de 1985, assinada por José Sarney e Raúl Alfonsín, que abriu caminho para a criação do Mercosul em 1991.

Na sexta-feira (19), Lula participa da cerimônia de abertura da Ponte Internacional da Integração Brasil–Paraguai, sobre o Rio Paraná. A obra foi financiada pela Itaipu Binacional, com apoio do governo federal e do governo do Paraná. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também participa do evento.

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