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Professores denunciam abandono e falta d’água em colégio indígena de Tamarana

Professores denunciam abandono e falta d’água em colégio indígena de Tamarana
Estudantes Kaingangs de Terra Indígena Apucaraninha. Foto: Arnaldo Alves / ANPr.
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Há meses estudantes estariam sem acesso regular à água potável e situação compromete o funcionamento da escola.

Professores do Colégio Estadual Indígena Benedito Rokag, localizado na Terra Indígena Apucaraninha, em Tamarana (norte do Paraná), denunciam uma grave crise de infraestrutura que afeta diretamente a comunidade escolar. Segundo eles, há cerca de dois meses os estudantes estão sem acesso à água potável, e os rios próximos estariam contaminados por agrotóxicos. O colégio atende cerca de 400 estudantes kaingangs.

Além dos alunos, cerca de duas mil pessoas da comunidade também têm sido impactadas.

A falta de água comprometeu o funcionamento básico da escola, que não dispõe de condições adequadas de higiene nem de preparo de alimentos. Sem água para cozinhar, a merenda escolar foi suspensa por semanas. Apenas na última quinta-feira (4), as crianças voltaram a se alimentar na unidade após a própria comunidade buscar água em outra localidade.

Diante da situação, cada estudante e servidor tem precisado levar água de casa. “Eu consigo porque tenho água em casa, mas a realidade da maioria aqui é outra”, relata um professor.

Mesmo com a crise, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) estaria exigindo o funcionamento normal do colégio, com presença integral dos profissionais, cumprimento da carga horária e recomposição das aulas perdidas — embora nenhuma medida de abastecimento emergencial tenha sido adotada. Em um vídeo, enviado junto à denúncia, um menino indígena aparece tentando beber água de uma torneira da escola, da qual saem apenas gotas.

“Estamos sendo pressionados a cumprir horário e recompor a aprendizagem, enquanto o colégio não tem água, não tem banheiro funcionando e não tem sequer como preparar a merenda”, afirma um dos docentes.

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Estudante tenta beber água em torneira do colégio. Vídeo: Colaboração.

Somada à falta de abastecimento, há ainda denúncias de contaminação das águas ao redor da aldeia por agrotóxicos, situação que já seria de conhecimento público. A única ação prevista pela Seed seria a construção de um banheiro seco, anunciada para começar apenas em 2026.

Segundo os relatos, durante uma visita à escola, um representante da Seed afirmou que recursos já haviam sido repassados à direção e estariam esgotados, mas não apresentou qualquer documento que comprovasse a transferência ou o uso da verba — informação que foi cobrada pelos professores.

A comunidade indígena e os educadores pedem ações urgentes do poder público para restabelecer condições mínimas de funcionamento da escola, garantir o acesso à água potável e assegurar alimentação adequada e dignidade aos estudantes.

Enquanto isso, denunciam que, no mesmo período, o Governo do Paraná já destinou R$ 155 milhões a três grupos privados responsáveis pela gestão de 82 escolas do programa Parceiro da Escola — valor que corresponde a aproximadamente R$ 236 mil por mês para cada unidade.

Questionada pelo Plural, a Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual de Educação respondeu a situação é acompanhada de perto pelo Núcleo Regional de Educação de Londrina. Confira a nota:

O caso de abastecimento de água na Escola Estadual Benedito Rokag é acompanhado de perto pelo Núcleo Regional de Educação de Londrina. Para viabilizar a instalação de um novo poço e garantir o fornecimento adequado de água à unidade, será firmado um contrato de cooperação com o Instituto Água e Terra (IAT). Parte dos recursos necessários para o início da obra já foi disponibilizada.

No momento, o abastecimento está sendo realizado por meio do fornecimento de galões de água potável pela Sanepar, garantindo as necessidades diárias da comunidade escolar. A medida assegura a manutenção regular das atividades escolares e o pleno funcionamento da instituição enquanto avançam os trâmites para instalação do novo poço.

 

José Pires

José Pires

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura dos povos indígenas do Sul do Brasil; meio ambiente; política; cultura e liberdade religiosa

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