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Com diploma, o trabalhador ganha 35% a mais e fica meio ano a mais no emprego

No mesmo cargo, quem tem ensino superior ganha 35% a mais e permanece cerca de seis meses a mais no emprego do que quem tem só o ensino médio. O Plural calculou o efeito da graduação com base nos microdados da RAIS 2024 e do Novo CAGED

Com diploma, o trabalhador ganha 35% a mais e fica meio ano a mais no emprego
Foto: Felipe Gregate / Unsplash

Um trabalhador com ensino superior completo permanece, em média, 32,7 meses no mesmo emprego, contra 26,7 meses de quem tem apenas o ensino médio — cerca de seis meses a mais. E recebe um salário mediano 35% maior: R$ 1.091 a mais por mês. A comparação é feita dentro de uma mesma ocupação, entre pessoas que fazem o mesmo trabalho.

O cálculo é do Plural, com base na RAIS 2024, o registro anual de vínculos formais do Ministério do Trabalho, que traz a escolaridade, o salário e o tempo de casa de cada trabalhador. Foram comparadas 372 ocupações que empregam, em volume, tanto quem tem médio quanto quem tem superior.

A comparação dentro do mesmo cargo importa porque, no agregado, a diferença parece muito maior. Somando todas as ocupações, o salário mediano de quem tem superior (R$ 4.521) é 111% maior que o de quem tem médio (R$ 2.143). Mas boa parte dessa distância é a ocupação, não o diploma: quem tem superior está mais em cargos de médico, engenheiro e gerente, que pagam mais por natureza. Isolando o cargo, o efeito do diploma cai para 35%.

O tamanho do diploma depende do cargo

O retorno da graduação não é o mesmo em toda parte. Entre agentes, assistentes e auxiliares administrativos, quem tem superior ganha R$ 3.292, contra R$ 2.037 de quem tem médio — 62% a mais. Entre operadores do comércio, a diferença é de 41%.

Já em funções manuais, o diploma quase não muda o salário. Um porteiro ou vigia com ensino superior ganha R$ 2.174, contra R$ 1.984 de quem tem médio — 10% a mais. Entre recepcionistas, 9%; entre atendentes de bares e restaurantes, 10%. Nesses casos, o trabalhador com diploma está sobrequalificado para o posto.

O primeiro fato: terminar o médio não muda o salário

Concluir o ensino médio, sozinho, quase não altera a remuneração. Quem tem até o ensino fundamental recebe salário mediano de R$ 2.178; quem tem o médio completo, R$ 2.143 — praticamente o mesmo. O salto está no diploma superior, que mais que dobra a mediana, e na pós-graduação, que a dobra de novo, para R$ 9.797.

Mais salário, não mais vagas

O diploma abre acesso a um segmento mais bem pago, não a mais vagas. Entre janeiro e maio de 2026, 65,5% de todas as contratações formais foram de trabalhadores com ensino médio completo, segundo o Novo CAGED. Contratações de quem tem superior completo somaram 8,1%; de pós-graduados, 1,5%.

Na entrada, o prêmio do diploma é ainda maior: o salário médio de admissão de quem tem superior foi de R$ 4.126, contra R$ 2.131 de quem tem médio — 94% a mais. O de pós-graduados, R$ 6.830. O mercado formal contrata dois em cada três no nível médio, mas paga quase o dobro a quem entra com graduação.

Como o Plural apurou

Foram usados a RAIS 2024 (estoque de 52,2 milhões de vínculos formais ativos em 31 de dezembro de 2024) e o Novo CAGED (11,6 milhões de admissões entre janeiro e maio de 2026), ambos do Ministério do Trabalho e Emprego. "Graduação" é o ensino superior completo. O efeito no salário e na permanência foi medido dentro de cada ocupação (família CBO), comparando trabalhadores com médio completo e com superior completo, nas 372 ocupações que têm ao menos 100 vínculos de cada nível; os valores relatados são a mediana entre essas ocupações. Salários de admissão consideram valores entre R$ 100 e R$ 100 mil.

Os números medem associação, não causa: quem se forma pode diferir de quem não se forma — em renda familiar, rede de contatos ou trajetória — mesmo dentro do mesmo cargo. Os dados cobrem apenas o emprego formal com carteira; não captam desemprego nem trabalho informal, onde a diferença por escolaridade também existe.

Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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