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Após décadas de disputa, Kaingang pressionam por acordo definitivo em Tamarana

Kaingangs cobram a conclusão da demarcação da Terra Indígena Apucaraninha e a retirada de fazendeiros da área em Tamarana.

Após décadas de disputa, Kaingang pressionam por acordo definitivo em Tamarana

Centenas de indígenas do povo Kaingang realizaram uma manifestação na manhã desta quarta-feira (6) na sede da Fazenda Tamarana, localizada na Terra Indígena Apucaraninha, no norte do Paraná. O grupo reivindica direitos básicos, como acesso à educação, além da conclusão do processo de demarcação da reserva e da desocupação de imóveis situados dentro do território indígena, entre outras demandas.

Participaram da mobilização cerca de 200 indígenas das aldeias Bananeiro, Água Branca, Retomada Serrinha e da aldeia Sede Apucaraninha. O Cacique Amilton Gym-ry destacou que a manifestação feita pela comunidade tem como objetivo cobrar a finalização do processo de demarcação da Terra Indígena. Hoje, a área já está delimitada, mas fazendeiros da região continuam plantando no território dos Kaingangs.

Em 1955, os indígenas Kaingang receberam, por meio de escritura pública, 6300 hectares de terra que formam a Terra Indígena Apucaraninha. No entanto, décadas depois, quando a Funai realizou nova medição, foi constatado que a reserva tinha apenas 5574 hectares. Assim, em 2003, em 2017 e novamente em 2023 os indígenas, reivindicando parte de seu território por direito, resolveram ocupar a Fazenda Tamarana que fica dentro da área original da Terra Indígena.

Outra reivindicação dos indígenas é que maquinários como tratores e colhedeiras, além de móveis e outros pertences de fazendeiros da região sejam retirados das aldeias. Para isso, a comunidade indígena deu um prazo de 48 horas.  

Os indígenas também pedem que a justiça autorize a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) a entregar madeiras que foram apreendidas e que serão destinadas para a construção de casas para famílias que estão na retomada Serrinha.  Uma ordem judicial embargou a entrega e dezenas de kaingangs vivem de forma precária na Retomada Serrinha.

Terra indígena diminui de tamanho com o passar dos anos

Agora os indígenas aguardam um acordo de reparação que pode pôr fim à ocupação da Fazenda Tamarana e de conflitos que se estendem por mais de 20 anos. Em comunicado ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), em setembro de 2025, os Kaingangs relatam que decidiram aceitar provisoriamente uma proposta apresentada pelo governo do Paraná, por meio da Superintendência de Diálogo e Integração Social (SUDIS), para transferência pacífica das famílias que estão na sede da fazenda para uma área de aproximadamente 70 alqueires.

Segundo as lideranças, a decisão foi tomada após análise de duas alternativas e com o objetivo de buscar uma solução duradoura para o território. A comunidade reivindica que o Estado adquira a área da Fazenda Apucaraninha, com cerca de 405 alqueires, como solução definitiva para o conflito. De acordo com o documento enviado pelas lideranças, a reserva abriga atualmente cerca de 2,1 mil indígenas do povo Kaingang, distribuídos em aproximadamente mil famílias.

As lideranças afirmam que a mudança para o assentamento provisório dependerá da instalação de infraestrutura mínima, como energia elétrica, água potável e moradias temporárias, além de apoio institucional para saúde, educação e acesso viário, com participação da Funai, do governo estadual, da Secretaria Especial de Saúde Indígena e da prefeitura de Tamarana.

 

 

José Pires

José Pires

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura dos povos indígenas do Sul do Brasil; meio ambiente; política; cultura e liberdade religiosa

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