Alunos da rede municipal de Foz do Iguaçu ficaram sem aulas nesta quinta (19) e sexta-feira (20), no início do ano letivo. Em nota à comunidade escolar, o Sinprefi afirmou que a dispensa dos estudantes foi decidida de forma repentina pela Secretaria Municipal de Educação (SMED), fora do calendário oficial, com professores mantidos em atividade nas unidades.
A interrupção ocorreu após um começo de fevereiro marcado por instabilidade. As aulas haviam sido retomadas no início do mês, mas a Prefeitura decidiu emendar o recesso de Carnaval com dois dias de formação dos profissionais, sem previsão no Calendário Escolar Oficial aprovado para 2026. Segundo o sindicato, a nota buscou esclarecer a comunidade e evitar que a ausência de aulas fosse atribuída aos docentes.
“Fizemos o informativo porque a comunidade estava achando que era culpa dos professores o não atendimento nesses dias”, afirmou o secretário-geral do sindicato, Lucas Fávero. “A decisão foi da Secretaria, sem planejamento, e os profissionais continuaram trabalhando normalmente”, completou.
A rede municipal atende mais de 30 mil alunos, distribuídos em 97 unidades e 1.508 turmas, conforme dados oficiais da Prefeitura.
Merenda em falta no início das aulas
Além da suspensão das aulas, o sindicato relata problemas no abastecimento da merenda escolar. Informações indicam que unidades começaram o ano sem itens básicos como óleo, sal e temperos, levando escolas a realizar compras emergenciais para manter o atendimento.
“Em alguns casos, foi preciso comprar merenda para o primeiro dia de aula. Um CMEI nos informou que só tinha banana verde para servir”, disse Fávero.
Segundo o sindicato, o desabastecimento decorre de falhas de planejamento. A licitação para parte dos itens da alimentação escolar teria sido iniciada apenas em novembro, quando o procedimento adequado deveria começar entre maio e julho. Em alguns produtos, não houve interessados, e o atraso teria impedido novo processo a tempo do retorno às aulas.
Informações obtidas pela reportagem, sob condição de anonimato, indicam que diretores de diferentes unidades relataram dificuldades semelhantes. Na Escola Municipal João da Costa Viana, a maior da rede, com mais de 1.200 alunos, a direção informou ter recebido quantidade de materiais de limpeza considerada insuficiente para o mês.
Um CMEI do Porto Meira relatou ausência de alimentos básicos no primeiro dia de aula, enquanto uma unidade da Vila C informou ter buscado colchonetes e mobiliário em outras escolas para iniciar o atendimento integral, com deslocamentos feitos em veículo particular. Segundo os relatos, houve distribuição desigual de insumos e improviso na preparação das unidades.
O que diz a Prefeitura
Procurada pela reportagem nesta sexta-feira (20), a Prefeitura de Foz do Iguaçu não respondeu até a publicação desta edição.
Em manifestações anteriores, a administração municipal afirmou que os períodos de estudo e planejamento são essenciais para a organização pedagógica e disse compreender as preocupações das famílias. O Executivo também declarou que cumprirá integralmente o calendário escolar, com os dias letivos previstos em lei, e reiterou compromisso com a qualidade da educação.