Viaturas da Polícia Militar ficaram paradas com as sirenes ligadas na frente do Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na tarde desta quinta-feira (18), nove dias depois do incidente que resultou na invasão da universidade por policiais e que deixou estudantes feridos na Praça Santos Andrade. Vídeos e fotos da ação desta tarde, interpretada por estudantes e funcionários da universidade como uma tentativa de intimidação, estão circulando nas redes sociais.
"Vi e não entendi nada", disse um funcionário da UFPR, que pediu para não ter a identidade revelada. "Estavam todos os departamentos da PM, com pelo menos uma viatura cada. Saíram todos com giroflex e sirene ligados, um barulho altíssimo. Os policiais estavam todos em formação, na frente das viaturas".
Ao Plural, a PM informou que as equipes participaram da Operação Sinergia, que está sendo realizada em todo o estado nesta semana. Segundo a assessoria da corporação, o vídeo registrou o momento da saída das viaturas para a operação, que envolveu equipes do 33º Batalhão, responsável pela área central de Curitiba.
Câmara apoia ação que deixou feridos
Na sessão de quarta-feira (17), a Câmara Municipal de Curitiba aprovou uma moção de apoio à ação da PM no dia 9 de setembro, quando policiais invadiram o Prédio Histórico da UFPR para supostamente "resgatar" o vereador Guilherme Kilter (Novo) e o advogado Jeffrey Chiquini, que dariam uma palestra sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) no Salão Nobre do curso de Direito.
Estudantes ocuparam o Salão Nobre para tentar impedir a realização da palestra, que acabou cancelada minutos antes. Apesar da recomendação contrária da direção do curso, Kilter e Chiquini insistiram em entrar no prédio. O vice-diretor do curso foi empurrado por apoiadores dos palestrantes, como mostram vídeos publicados na redes sociais. Os palestrantes disseram que foram cercados por estudantes e mantidos na sala dos professores do Direito – apesar de sorrirem e provocarem os estudantes quando entraram na universidade.
Na Praça Santos Andrade, os policiais utilizaram bombas de efeito moral, gás e balas de borracha. Uma estudante ficou ferida na perna. Outro estudante foi derrubado e arrastado pelos policiais antes de ser preso. Cercados por policiais, o vereador e o advogado gravavam vídeos para suas redes sociais. Guilherme Kilter xingou estudantes e correu atrás deles.