Os Gulin são conhecidos por manterem há décadas a maior fatia de um oligopólio em Curitiba: são donos de sete das 11 empresas que prestam o serviço de transporte coletivo da capital. Eram eles que faziam isso nos anos 1970, são eles que fazem isso hoje, e se nada mudar na próxima licitação de janeiro, são eles que ficarão com os lucros do bilionário sistema pelos próximos anos.
Mas não é só isso. Como mostrou a jornalista Rosiane Correia de Freitas, aqui no Plural, a partir do dinheiro do transporte, os Gulin montaram um império - coroado por esses dias com um prédio de apartamentos que chegam a valer, cada um, R$ 40 milhões. E é deles também uma plataforma de venda de passagens intermunicipais, outro lucrativo negócio que ainda está por ser licitado. A plataforma se chama Embarca, e assim como no caso dos ônibus, também não parece gostar da ideia de concorrência.

Pois foi justamente o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário Intermunicipal de Passageiros do Estado do Paraná, presidido por Alexandre Gulin, que entrou na Justiça para proibir no estado o funcionamento da BlaBlaCar - uma empresa que oferece caronas solidárias por meio de um aplicativo. O argumento é de que a carona seria um meio clandestino de transporte coletivo e, mais do que isso, uma concorrência desleal.
É preciso notar que não se trata de uma van em que a pessoa paga passagem; o que existe unicamente é a divisão dos custos da viagem. Ou seja: em última instância o que os donos das empresas de transporte intermunicipal querem é proibir a carona solidária no estado do Paraná. A ideia é tão estranha que não parece ter ocorrido a outras empresas mundo afora, em todos os países onde atua a BlaBlaCar.
Curiosamente, o sindicato das empresas chegou a conseguir uma liminar no final de 2025, proibindo a BlaBlaCar de funcionar. Como estava perto do Natal e muita gente que usa o aplicativo ia ficar sem o serviço, a empresa de aplicativo decidiu pagar a multa diária de R$ 50 mil e manter tudo funcionando. Mais tarde, conseguiu derrubar a liminar na Justiça.
Agora, o Tribunal de Justiça do Paraná deve julgar o mérito da causa, como mostrou o repórter José Marcos Lopes, também aqui no Plural. Conhecendo o tamanho da influência dos Gulin na cidade e no estado, não é de duvidar que os desembargadores concordem que proibir os paranaenses de dar carona seja uma boa ideia.