Pular para o conteúdo

STF dá 48 horas para o TJ explicar pagamentos a magistrados entre abril e julho

Sete tribunais teriam descumprido determinação para cortar gratificações; Tribunal diz que média em maio foi de R$ 39 mil, abaixo do teto constitucional

STF dá 48 horas para o TJ explicar pagamentos a magistrados entre abril e julho
TJPR está entre sete tribunais que terão que prestar informações ao STF. Foto: Tami Taketani/Plural

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (6 de julho) que os presidentes de sete tribunais, entre a presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), Lidia Maejima, prestem informações no prazo de 48 horas sobre pagamentos realizados entre abril e julho deste ano a juízes e desembargadores da ativa, aposentados e pensionistas. Os outros tribunais que deverão prestar esclarecimentos são os de Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia.

Em março, o Plenário do STF fixou parâmetros para os tribunais e o Ministério Público cumprirem o teto constitucional na magistratura. Segundo matéria divulgada nesta segunda pelo jornal Folha de S. Paulo, os sete tribunais descumpriram a determinação, entre eles o TJPR – o maior salário pago e maio pelo tribunal, de acordo com o jornal , foi no valor de R$ 90,3 mil (veja abaixo a nota do TJPR).

Em seu despacho, Moraes determinou que os tribunais "prestem informações detalhadas sobre os valores e verbas pagas a cada magistrado da ativa e aposentado, bem como aos pensionistas, nos meses de abril, maio, junho e julho do presente ano, com indicação de valores remuneratórios e indenizatórios individualizados".

Juízes e desembargadores do Paraná receberam mais que o dobro do salário em 2025
Pagamentos foram feitos dentro da lei, mas STF cortou os chamados penduricalhos em março deste ano

Os tribunais terão que anexar cópias das folhas de pagamento emitidas nos quatro meses, tanto em relação às verbas remuneratórias, quanto a verbas indenizatórias, "sob pena de imediato afastamento do cargo de direção e responsabilidade penal, civil e disciplinar".

Em maio, estava em vigor a decisão do STF que proibiu penduricalhos como auxílio-alimentação e auxílio-moradia. O Tribunal permitiu outras gratificações, que poderiam aumentar o salário até o limite de R$ 78,8 mil (o teto constitucional é de R$ 46.366,19). Uma resolução de abril do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), teria permitido aos tribunais pagamentos acima do valor definido pelo Supremo.

Juízes do TJPR receberam 129 pagamentos acima de R$ 200 mil em 2025
Os dados são das folhas de pagamento de 2025 e indicam que houve juiz que recebeu 286 mil no mês de dezembro

Em nota, o TJPR afirmou que a média dos pagamentos líquidos a magistrados em maio foi de R$ 39.079,09. Segue a nota:

O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) esclarece que a média do pagamento líquido feito aos magistrados no mês de maio de 2026 foi de R$ 39.079,09, considerando ativos e inativos. No período, os magistrados ativos receberam, em média, R$ 38.611,55 líquidos, enquanto a média dos inativos foi de R$ 40.856,12.

O valor de aproximadamente R$ 90.320,00 mencionado em reportagem publicada no dia 6/7/2026, pela Folha de São Paulo, refere-se a uma situação individual e excepcional. Segundo o TJPR, o pagamento foi feito a um magistrado inativo que, no mês de maio de 2026, recebeu parte da restituição de imposto de renda descontado indevidamente desde a sua aposentadoria, em razão de ser portador de doença grave.

A restituição tem fundamento no artigo 6º, inciso XIV, da Lei Federal n. 7.713/1998, e no artigo 35, § 4º, inciso I, alínea “a”, do Decreto Federal n. 9.580/2018, que regulamenta o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza.

De acordo com o Tribunal, o mesmo magistrado havia recebido, em abril de 2026, o valor líquido de R$ 27.671,86, quando ainda incidia o desconto indevido de imposto de renda. Em junho de 2026, já sem o desconto e com a implantação da parcela indenizatória relativa à PVTAC, o valor líquido recebido foi de R$ 50.865,71.

O TJPR reafirma que cumpre rigorosamente as decisões do Supremo Tribunal Federal e as determinações do Conselho Nacional de Justiça relativas à política remuneratória do Poder Judiciário.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

Todos os artigos

Gostou desta reportagem?

Considere pagar um café para José Marcos Lopes e apoiar o jornalismo independente do Plural. Aponte a câmera do seu banco para o QR Code ou faça um Pix de qualquer valor para a chave abaixo.

32885173000120

Mais em Judiciário

Ver todos

Mais de José Marcos Lopes

Ver todos

De nossos parceiros