Autoridades italianas, com auxílio da Polícia Civil do Paraná (PCPR), prenderam nesta sábado (27 de julho) João Guilherme Correa, 35 anos, condenado pela morte de um casal durante uma festa neonazista em 2009, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Ele estava foragido na Itália e foi capturado na região de Pavia, perto de Milão.
João Guilherme Correa foi condenado a 35 anos de prisão em março do ano passado pelas mortes de Bernardo Dayrell Pedroso, de 24 anos, e Renata Weachter Ferreira, 21 anos, na madrugada de 21 de abril de 2009. Jairo Maciel Fischer, de 38 anos, foi condenado a 27 anos. Apontado como mandante do crime, o economista Ricardo Barollo, 49 anos, foi sentenciado a 48 anos de detenão em maio de 2025. Os julgamentos foram no Fórum de Campina Grande do Sul.
Segundo a Polícia Civil do Paraná, Correa era considerado foragido da Justiça brasileira e possuía dois mandados de prisão em aberto – uma pela condenação e outro pelos crimes de racismo e apologia ao nazismo. Os policiais fizeram buscas na região de Sarandi, no interior do Estado, e apreenderam aparelhos celulares que indicavam que ele havia deixado o Brasil com destino à Europa.
“As informações obtidas pela equipe de investigação subsidiaram o trabalho de cooperação entre os órgãos de persecução penal, permitindo a localização e a prisão do investigado em território italiano”, disse o delegado William Araújo Ribeiro, segundo a agência de notícias do governo do Paraná. Correa era conhecido como “Kempfer” no movimento neonazista brasileiro.

O crime
Bernardo e Renata participavam de uma festa em uma chácara em Quatro Barras, convocada para a noite de 20 de abril, data de nascimento do ditador Adolf Hitler. Bernardo era estudante de Direito e morava em Minas Gerais. Visto como um dos líderes do movimento no país, ele era contrário a ataques a homossexuais e travestis nas ruas de Curitiba, por achar que os atos de violência “prejudicavam a imagem” do movimento. Renata era estudante de Arquitetura na PUCPR.
Na madrugada de 21 de abril, o casal foi chamado para comprar mais cerveja e buscar o namorado de outra participante da festa em Curitiba. Quando voltavam para a chácara, na BR-476, o ocupante teria pedido para parar o carro. Outro veículo, com dois homens encapuzados (que seriam Jairo Maciel Fischer e João Guilherme Correa), se aproximou. Eles atiraram na nuca de Bernardo e três vezes contra Renata, segundo as investigações. Os dois morreram no local.
Seis pessoas foram presas pela Polícia Civil em maio de 2009. Quatro foram presas em Curitiba, inclusive o casal que teria participado da emboscada. Ricardo Barollo foi preso em São Paulo e o suspeito de atirar contra o casal foi detido em Teutônia (RS). Com ele foi apreendida uma das armas que teria sido utilizada no crime, uma pistola calibre 9 mm registrada na Argentina. Outra arma foi encontrada no Parque Barigui, em Curitiba.
Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo planejava a criação de um "novo país" chamado Neuland, que ficaria na Europa e seria "livre de judeus e homossexuais". João Guilherme Correa foi preso em novembro de 2022 em um sítio na rodovia SC-281, em São Pedro de Alcântara (SC). Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ele participava da reunião anual de uma célula neonazista que vinha sendo monitorada pela Delegacia de Repressão ao Racismo e a Delitos de Intolerância. Oito pessoas foram presas.