A possibilidade de conseguir se candidatar ao Senado, como pretendia, parece cada vez mais distante para a jornalista Cristina Graeml. Depois de mudar três vezes de partido desde sua campanha para prefeita de Curitiba, em 2024, Cristina parece ter caído numa armadilha: ao entrar para o PSD de Ratinho Jr tornou-se refém das vontades e das articulações do governador e de seu grupo.
Saindo do PMB, o partido minúsculo que usou como trampolim na campanha municipal, Cristina foi chamada por Alvaro Dias para ir ao Podemos. Ao sair de lá, talvez tenha cometido seu primeiro erro: confiando numa parceria com o senador Sergio Moro, partiu para o União Brasil. Ele seria candidato ao Governo do Paraná e ela, ao Senado. Tudo certo, não fosse pelo hábito de Moro de deixar seus aliados pelo caminho.
Em março deste ano, faltando pouco mais de seis meses para a eleição, sem aviso prévio, Moro aceitou um convite inusitado dos Bolsonaro para ir ao PL. Mas lá já havia dois pré-candidatos ao Senado à sua espera: o deputado federal Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). Cristina não foi convidada para a festa e ficou claro que havia sido traída pelo senador.
Sem ter para onde correr, Cristina entrou na roda-viva das mudanças de partido na semana que antecede o fim do prazo da legislação. Em Brasília, ficou ao lado de outros deputados e de candidatos em inúmeras salas de espera. Chamada pelos caciques para as salinhas onde as coisas são decididas a portas fechadas, ouvia mais uma proposta que não lhe interessava. Ninguém lhe oferecia o Senado, só a Câmara.
Segundo ela, o que mais irritava era que os donos das legendas nem disfarçavam: queriam Cristina como puxadora de votos, não para elegê-la deputada, mas para que os votos dela se transferissem para seus correligionários. Nada dava certo, e aí Ratinho armou o bote: chamou Cristina, faltando 72 horas para o fim do prazo de mudanças de partido, e convidou-a para o PSD. Ela topou na hora.
O discurso do governador foi vago, e não havia tempo para muita discussão. Ratinho só disse que garantia a vaga para ela na chapa majoritária. Ficava implícito que era o Senado. Mas, na verdade, tudo indica que não era. O convite era para, no máximo, uma vice na chapa de Governo.
Agora, faltando menos de um mês para o fim do prazo das convenções partidárias, fica claro que a possibilidade de Senado é cada vez mais remota. Ratinho tem um compromisso, esse sim para valer, com Alexandre Curi (PSD). O presidente da Assembleia Legislativa teve barrada sua candidatura ao governo. Por receio do escândalo dos Diários Secretos, Ratinho não quis o deputado na cabeça de chapa. Mas achou interessante lhe oferecer como prêmio de consolação o Senado.
Só que o presidente da Assembleia Legislativa tinha uma cláusula a apresentar. Aceitava o Senado. Mas ou correria como único candidato do grupo de Ratinho ou teria, no mínimo, o direito a veto sobre seu parceiro de chapa. E Curi não aceita Cristina Graeml como companheira de chapa de jeito nenhum.
A essa altura, Cristina parece ter duas opções que nunca lhe interessaram: ajudar a eleger Sandro Alex (PSD) governador, como sua vice; ou disputar o cargo de deputada federal, servindo justamente como a puxadora de votos que jurou que jamais seria.