Pular para o conteúdo

População sob custódia no Paraná cresce 46% em cinco anos, mais que o dobro da média do país

O estado passou de 64,6 mil para 94,4 mil pessoas sob responsabilidade do sistema prisional entre 2020 e 2025, enquanto o Brasil avançou 19,6%

População sob custódia no Paraná cresce 46% em cinco anos, mais que o dobro da média do país
Foto:Grant Durr / Unsplash

O número de pessoas sob custódia do sistema prisional do Paraná cresceu 46,1% entre 2020 e 2025, passando de uma média de 64.609 para 94.363 pessoas. No mesmo período, o total do país foi de 706.874 para 845.520 — alta de 19,6%. O ritmo paranaense foi, portanto, cerca de 2,3 vezes o da média nacional. Os números são do levantamento de custos do sistema prisional da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), que reúne despesas e população por unidade da federação em série mensal desde julho de 2020.

Na comparação entre estados, o Paraná teve o 5º maior crescimento do período. À frente ficaram Alagoas (+145,1%), Piauí (+99,7%), Ceará (+52,7%) e Rio Grande do Norte (+50,5%). Logo atrás vêm Mato Grosso (+43,0%) e Tocantins (+38,8%). No outro extremo, quatro unidades registraram estabilidade ou redução: São Paulo ficou praticamente inalterado (de 214.765 para 214.793), enquanto Pará (−1,3%), Pernambuco (−4,1%) e Rio de Janeiro (−5,0%) diminuíram seus contingentes.

Evolução da população sob custódia — Paraná e Brasil
Índice, jul/2020 = 100. Passe o cursor para ver os valores.
ParanáBrasil
Entre julho de 2020 e dezembro de 2025, o índice do Paraná chega a 154 e o do Brasil, a 120.

Com 94.363 pessoas em 2025, o Paraná tem a segunda maior população sob custódia do país por essa métrica, atrás apenas de São Paulo (214.793) e à frente de Minas Gerais (79.694), Rio Grande do Sul (49.918) e Rio de Janeiro (43.858). A posição, porém, depende do que se conta: considerando apenas quem está em unidade prisional, o estado cai para o quinto lugar, como detalhado adiante.

A série mensal mostra crescimento contínuo: eram 61.308 pessoas em julho de 2020, primeiro mês do levantamento, e 97.186 em maio de 2026, último dado disponível. O pico da série ocorreu em abril de 2026, com 100.860 pessoas. É preciso registrar o que essa contagem abrange: ela reúne tanto quem está em unidades prisionais quanto quem cumpre monitoração eletrônica ou medidas alternativas — e é justamente na composição desse total que estão as maiores variações.

A maioria não está em cela

Das 94,4 mil pessoas sob custódia do sistema prisional paranaense em 2025, 57% não estavam em unidades prisionais. O contingente em prisão física somou 39.211 pessoas na média do ano (43% do total). As outras duas parcelas são as medidas alternativas, com 39.794 pessoas, e a monitoração eletrônica, com 15.359.

População sob custódia no Paraná, por tipo
Número de pessoas por mês, jul/2020 a mai/2026. As áreas empilhadas somam o total.
Unidades prisionais (físico) Monitoração eletrônica Medidas alternativas

A separação vem da própria base do SENAPPEN, que lista a população por unidade: o Patronato Central de Curitiba concentra as medidas alternativas e a Central de Monitoração Eletrônica responde pelo monitoramento; as demais unidades — penitenciárias, cadeias públicas e casas de custódia — formam o contingente físico. Em dezembro de 2025, os números eram de 40.555 pessoas em unidades prisionais, 38.441 em medidas alternativas e 15.489 em monitoração.

Os três grupos cresceram desde 2020, em ritmos diferentes. As medidas alternativas tiveram a maior expansão, de 25.642 para 39.794 pessoas (+55,2%). A monitoração eletrônica passou de 10.758 para 15.359 (+42,8%). A população em unidades prisionais foi de 28.209 para 39.211 (+39,0%).

No contingente físico, o Paraná é o 5º

Isolando quem está efetivamente em unidade prisional, o Paraná tinha 39.211 pessoas na média de 2025 — o quinto maior contingente físico do país. À frente estão São Paulo (214.793), Minas Gerais (70.510), Rio de Janeiro (43.858) e Rio Grande do Sul (39.572), este último à frente do Paraná por 361 pessoas. Logo atrás vem Pernambuco (30.831).

Contingente físico por estado — média de 2025
Pessoas em unidades prisionais, excluídas monitoração eletrônica e medidas alternativas.
Passe o cursor para ver a variação de cada estado entre 2020 e 2025.

A diferença entre as duas posições — segundo lugar no total, quinto no físico — se explica pela composição. O Paraná é o estado com a menor participação de presos físicos no total sob custódia: 41,6%. Nos demais, essa fatia vai de 64,4% (Acre) a 100%. Minas Gerais tem 88,5% de contingente físico; Rio Grande do Sul, 79,3%; São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Amapá aparecem com 100%, por não registrarem monitoração eletrônica separadamente nesta base.

No ritmo de crescimento, a diferença em relação ao país se mantém quando se olha só o físico — e fica ainda maior. A população em unidades prisionais do Paraná subiu 39,0% entre 2020 e 2025 (de 28.209 para 39.211), enquanto a soma dos estados avançou 9,4% (de 632.827 para 692.069). O ritmo paranaense foi, nesse recorte, cerca de quatro vezes o nacional. O estado teve o 6º maior crescimento do contingente físico, atrás de Alagoas (+166,3%), Piauí (+83,6%), Amapá (+61,5%), Amazonas (+51,2%) e Rio Grande do Norte (+45,4%). Quatro unidades reduziram o contingente físico no período: Acre (−12,3%), Rio de Janeiro (−5,0%) e Pernambuco (−4,1%), além de São Paulo, estável.

R$ 1.529 por pessoa ao mês

O Paraná gastou R$ 1.529 por pessoa sob custódia por mês em 2025, em valores corrigidos pelo IPCA. É o segundo menor valor entre as 27 unidades da federação — acima apenas de Pernambuco (R$ 1.354) — e 42% abaixo da média nacional, de R$ 2.634. No topo da lista aparecem Amapá (R$ 4.512), Bahia (R$ 4.012) e Minas Gerais (R$ 3.824).

Custo por pessoa sob custódia — Paraná e média do Brasil
R$ por mês, corrigidos pelo IPCA (reais de 2025).
ParanáMédia Brasil

O valor é influenciado pelo denominador. Como a conta divide a despesa total pelo conjunto de pessoas sob custódia — incluindo monitoração e medidas alternativas —, o resultado por pessoa fica menor em estados com grande contingente nessas duas modalidades, caso do Paraná. Considerando apenas quem está em unidade prisional (43% do total), o custo mensal do estado seria cerca de 2,3 vezes maior.

Onde vai o dinheiro

O sistema prisional paranaense registrou despesa de R$ 1,73 bilhão em 2025. Desse total, 63% foram para pessoal — R$ 1,10 bilhão em salários do órgão da administração penitenciária, prestadores de serviço e demais itens da rubrica. A segunda maior despesa foi alimentação, com R$ 288,5 milhões, seguida de aquisição e aluguel de equipamentos, veículos e imóveis (R$ 131,4 milhões) e de água, luz, telefone, lixo e esgoto (R$ 98,1 milhões).

Composição da despesa do sistema prisional do Paraná — 2025
Total no ano: R$ 1,73 bilhão. Passe o cursor para ver valores e participação.

Entre as rubricas menores estão higiene pessoal, colchões, uniformes e roupas de cama e banho (R$ 57,4 milhões), atividades laborais e educacionais (R$ 22,4 milhões), manutenção (R$ 17,2 milhões) e transporte e combustíveis (R$ 16,1 milhões). A rubrica de assistência à saúde do preso — que inclui atendimento médico, odontológico e psicológico — somou R$ 2,5 milhões no ano, o equivalente a R$ 2,21 por pessoa sob custódia por mês. Parte da assistência à saúde da população prisional pode ser custeada por outras fontes, como a rede pública de saúde, fora desta rubrica do levantamento.

O contingente físico em maio de 2026

O número de pessoas em unidades prisionais do Paraná chegou a 43.031 em maio de 2026, o maior da série iniciada em julho de 2020, quando eram 27.239 — alta de 58% no contingente físico. Os dados de 2026 são parciais, cobrindo de janeiro a maio.

Como apuramos. Os dados vêm do levantamento de custos do sistema prisional da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN/Ministério da Justiça e Segurança Pública), com despesas e população por unidade da federação em série mensal de julho de 2020 a maio de 2026. A média de 2020 considera seis meses (julho a dezembro). Os valores por pessoa foram corrigidos pelo IPCA para reais de 2025. Meses em que o estado concentrou lançamentos anuais de despesa foram tratados no cálculo do custo médio. A separação entre prisão física, monitoração eletrônica e medidas alternativas foi feita a partir da relação de unidades da própria base: unidades com "monitoração/monitoramento eletrônico" ou "tornozeleira" no nome formam o grupo de monitoração; "patronato" e "penas e medidas alternativas", o de medidas alternativas; as demais — penitenciárias, cadeias públicas, casas de custódia e casas do albergado — compõem o contingente físico. Vale registrar duas limitações dessa comparação: as unidades de medidas alternativas só aparecem em escala no Paraná (38,4 mil das 47,5 mil do país em dezembro de 2025), e quatro unidades da federação — São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Amapá — não registram monitoração eletrônica separadamente na base, ainda que mantenham programas do tipo.
Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

Todos os artigos

Mais em Segurança pública: políticas e dados

Ver todos

Mais de Rosiane Correia de Freitas

Ver todos

De nossos parceiros