Seis meses depois de o prefeito Eduardo Pimentel lançar a obra do novo Ambulatório Médico de Especialidades de Curitiba, o projeto ainda está na etapa de conhecer o terreno. O Diário Oficial do Município publicado nesta quarta-feira (9) traz a contratação da empresa que vai fazer as sondagens do solo onde o prédio deve ser erguido, no Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns, no Pinheirinho.
A contratação foi feita pela Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas), que administra o hospital. A empresa SR Eco Engenharia vai receber R$ 11,9 mil para abrir seis furos de sondagem no terreno. Segundo o ato, o resultado vai servir ao "projeto de fundações da futura edificação". Ou seja, a base do prédio ainda não foi projetada.
O ato publicado é uma retificação da Dispensa de Licitação nº 11/2026, assinada pelo diretor-geral da fundação, Sezifredo Paulo Alves Paz, em 4 de setembro. O texto não informa o que foi corrigido em relação à autorização original. A contratação sem licitação usa a hipótese da lei que dispensa concorrência para serviços de pequeno valor.
Para que serve a sondagem
A empresa vai usar o método SPT, sigla em inglês para teste de penetração padrão. É o exame mais comum na construção civil: um amostrador é cravado no solo a golpes de um peso padronizado, e o número de golpes necessários para avançar mostra a resistência do terreno em cada profundidade. O serviço contratado inclui ainda a medição do nível da água no subsolo, a coleta de amostras de solo, perfis geotécnicos de cada furo e um relatório técnico com anotação de responsabilidade técnica.
É com esses dados que engenheiros definem o tipo e a profundidade das fundações. No caso do ambulatório, a questão é relevante: segundo a prefeitura, o prédio de dois pavimentos e mais de 2 mil metros quadrados será sustentado por pilares sobre o estacionamento do hospital.
Na época do lançamento, o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, afirmou que o governo estadual estava fornecendo ao município o projeto padrão de ambulatório de especialidades usado em todo o Paraná. Um projeto padrão, porém, não dispensa o estudo do terreno: as fundações dependem das condições do solo de cada local.
O que foi prometido
O lançamento aconteceu em 17 de março, na festa de 14 anos do Hospital do Idoso, dentro da programação de aniversário de 333 anos da cidade. Pimentel apresentou a obra como cumprimento de um compromisso de campanha: um centro de atendimento especializado na região sul.
O orçamento previsto é de R$ 22,5 milhões. A Secretaria de Estado da Saúde repassa R$ 20 milhões, e a prefeitura entra com R$ 2,5 milhões de contrapartida. Segundo o anúncio, a licitação e a fiscalização da obra ficarão com a Secretaria Municipal de Obras Públicas. O prefeito também disse ter recebido do governador Ratinho Júnior o compromisso de equipar a unidade.
O prédio terá duas partes, interligadas ao hospital: um ambulatório com 22 consultórios e 12 especialidades médicas — anestesiologia, cardiologia, cirurgia geral, endocrinologia, gastroenterologia, geriatria, neurologia, ortopedia, pneumologia, psiquiatria, proctologia e urologia e Centro de Apoio Diagnóstico e Imagem com exames de cardiologia, endoscopia, função pulmonar, ultrassonografia, doppler vascular, eletroencefalografia, audiometria e raio-x.
Apesar de ficar no terreno do Hospital do Idoso, o serviço vai atender pacientes de toda a cidade, e não só os internados. A promessa é reduzir a espera por consultas e exames especializados, uma das principais queixas de quem depende do SUS em Curitiba.
A obra integra o PRO Curitiba, pacote de investimentos que a prefeitura estima em R$ 6 bilhões até 2028. Ainda não há cronograma de execução do projeto.