O governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD) anunciou nesta segunda-feira (23) sua desistência da campanha presidencial. Segundo nota enviada à imprensa, Ratinho concluirá seu atual mandato de governador, que vai até 31 de dezembro deste ano, e não disputará nem mesmo as eleições para o Senado, que seriam seu plano B.
A renúncia de Ratinho era esperada para os próximos dias. Caso desejasse se candidatar a algum cargo em outubro, teria de se desincompatibilizar do Governo até o próximo dia 4, na semana que vem. Com isso, seu vice, Darci Piana (PSD), assumiria o Governo do Paraná até o final do ano.
A nota enviada à imprensa não explica os motivos da desistência da campanha. Diz apenas que o governador tomou a decisão depois de "refletir" e de se reunir com a família. A decisão teria sido informada nesta segunda ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Além de Ratinho, os governadore4s de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciaram que são pré-candidatos do PSD à Presidência.
Pressão dos Bolsonaro
A desistência de Ratinho vem depois de uma pressão feita pela família Bolsonaro. O governador do Paraná foi chamado para uma conversa na semana passada com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que comanda a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Marinho disse que o paranaense teria de abrir mão da candidatura, ou o PL se viraria contra ele, apoiando o senador Sergio Moro ao Governo do Paraná.
Ratinho disse que não desistiria da campanha e que não aceitaria convite para ser vice de Flávio. Dias depois, Flávio gravou um vídeo ao lado de Moro anunciando a ida do senador para o PL e o apoio à sua candidatura. Com isso, Ratinho ficava em situação fragilizada no próprio estado, aumentando o risco de nem mesmo eleger seu sucessor ao Palácio Iguaçu.
Ratinho pretende apoiar a candidatura de Guto Silva (PSD) no Paraná. Mas Moro continua liderando as pesquisas, e o PSD começou a enfrentar dissidências nos últimos dias. Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e também pré-candidato ao Governo, foi para o MDB. E o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, também ameaça deixar o PSD para se candidatar pelo Republicanos.
Veja a nota enviada à imprensa por Ratinho:
COMUNICADO À IMPRENSA
RATINHO JUNIOR DECIDE CONCLUIR MANDATO NO PARANÁ
O governador Ratinho Junior decidiu concluir seu mandato no Paraná até dezembro deste ano. Portanto, ele deixa de participar da discussão interna do PSD (Partido Social Democrático), que escolherá um candidato disposto a concorrer às eleições presidenciais deste ano. A decisão foi tomada na noite deste domingo, 22, após profunda reflexão com sua família. O fato foi levado ao conhecimento do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, nesta segunda, 23.
Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná. Sob a gestão de Ratinho Junior, que alcançou 85% de aprovação, o Estado se consolidou como a melhor educação do Brasil, obteve os menores índices criminais dos últimos 20 anos, o maior investimento em infraestrutura da história, e conquistou, por quatro vezes consecutivas, a excelência em sustentabilidade no Brasil.
O governador do Paraná continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil virar a página do atraso, criar perspectivas mais otimistas para os jovens, ser destravado com menos burocracia, endurecimento de leis criminais e tenha o agronegócio brasileiro como trunfo na competição global entre nações.
Eleito com quase 70% dos votos válidos em 2022, Ratinho permanecerá pautando a sua vida para ajudar o Brasil a partir do Paraná, ao defender um estado menor e mais eficiente, que tem a educação como instrumento para melhorar a vida de jovens e apostando na pacificação e no diálogo como alicerces do Estado Democrático de Direito.
Carlos Massa Ratinho Júnior nasceu numa família humilde em Jandaia do Sul. Mudou para Curitiba ainda criança, onde o pai chegou desempregado na década de 80. A trajetória simples do governador permitiu que ele jamais fosse contaminado pelas benesses do Poder.
Ao encerrar em dezembro essa fase de sua vida, Ratinho Júnior pretende voltar ao setor privado e presidir o Grupo de Comunicação criado pelo pai, o apresentador Ratinho.