Londrina - Os dois próximos finais de semana serão marcados por protestos de familiares e amigos de pessoas mortas pela Polícia Militar em Londrina. Neste sábado (7), o ato será em memória dos dois anos da chacina que vitimou seis homens no Jardim Felicidade, na zona norte da cidade. Já no domingo de Carnaval, dia 15, moradores da comunidade Nossa Senhora da Paz (Bratac), na zona oeste, realizam uma manifestação para marcar um ano das mortes de Kelvin e Wender.
O ato do sábado terá início às 14h30 em frente ao campo de futebol do Jardim Felicidade, próximo à casa onde os seis homens foram mortos durante uma ação policial. O inquérito instaurado pela Polícia Civil para apurar o caso ainda não foi concluído, segundo João Santos, pai de João Victor, uma das vítimas.
“Não durmo direito. Qualquer barulho me faz imaginar que meu filho está chegando do trabalho. Quando vejo os passarinhos dele, a saudade aperta”, relata Santos.
A versão oficial da Polícia Militar é de que a equipe foi acionada após denúncia de que ocorreria um “tribunal do crime” no local. De acordo com a corporação, ao chegarem à residência, os policiais teriam sido recebidos pelos homens armados, o que teria motivado a reação que resultou nas seis mortes.
Os familiares, no entanto, contestam essa versão. João Santos afirma que o filho sequer possuía arma e não tinha antecedentes criminais. João Victor trabalhava havia três anos, com carteira assinada, em uma grande rede atacadista.
Além de João Victor, o ato é organizado pelas famílias de Luís Guilherme, Kauan de Oliveira, outros dois mortos na ação.

Passeata
Já a manifestação da Bratac, no dia 15, será uma passeata da comunidade até o local onde Kelvin e Wender foram mortos, no bairro vizinho, o Jardim Santiago. As famílias sustentam que os jovens foram executados e rejeitam a versão policial de confronto. Kelvin tinha 16 anos e Wender, 20.
As mortes provocaram uma série de protestos em Londrina. No dia 17 de fevereiro do ano passado, o transporte público da cidade chegou a ser suspenso após ônibus serem incendiados durante manifestações na periferia.