A eleição interna do PT paranaense terminou com uma série de traumas para o partido. Ou, pior: pode ainda nem ter terminado. Embora os resultados já estejam anunciados, as duas chapas envolvidas no segundo turno prometem entrar com recursos apontando irregularidades do outro lado. As suspeitas levantadas são graves e podem levar o que era um simples processo interno para as manchetes nacionais.
Já no primeiro turno, a candidatura de Zeca Dirceu levantou uma série de suspeitas sobre a lisura da votação. Desde o ano passado, quando tentou ser candidato a prefeito de Curitiba, o filho de José Dirceu vem fazendo uma oposição dura ao grupo de Gleisi Hoffmann, que comanda o partido no Paraná atualmente, por meio do deputado estadual Arilson Chiorato. Na disputa eleitoral, com os dois lados se enfrentando, isso só piorou.
A suposta demora para a apresentação dos resultados no primeiro turno foi o que levou inicialmente Zeca Dirceu a apresentar denúncias. O partido havia pedido urnas eletrônicas para o TRE, mas o pedido não foi acatado, e com isso a votação foi em papel, o que sempre cria mais tumultos e dúvidas.
Mas foi no segundo turno que a situação se agravou muito. Zeca Dirceu perdeu a contagem final por apenas 313 votos, dos mais de 16 mil eleitores que compareceram às urnas. E o deputado anunciou imediatamente que não aceitaria os resultados. Os recursos, porém, ainda não foram apresentados formalmente.
Um dos problemas levantados por Zeca foi o possível voto de um eleitor já falecido. Ao lado do nome de Adão Lima, um filiado que morreu em 2023, de fato aparece na lista de presenças uma assinatura, como se ele tivesse votado. Oficialmente, o partido ainda não comenta o tema, pois diz que caberá a uma comissão apurar os recursos.
Extraoficialmente, o que se diz é que a atualização das listas de eleitores cabe à Executiva nacional do partido. Podem acontecer erros - caso a informação da morte de um eleitor não seja enviada ao diretório, por exemplo. O estranho, porém, seria o fato de alguém se aproveitar disso para votar em nome do falecido.
Nos bastidores, o grupo de Arilson afirma que também encontrou problemas graves já no primeiro turno em urnas onde Zeca foi vencedor - inclusive supostamente com o voto de outro morto. Mas o grupo diz que preferiu não levar o caso a público para não prejudicar a imagem do partido.
Depois de Zeca anunciar seus recursos, porém, o grupo de Arilson afirmou que também vai recorrer do resultado anunciado em algumas urnas. A Comissão Eleitoral, que é responsável pela análise desse tipo de situação, conta com integrantes ligados a ambas as chapas e deverá avaliar os recursos a partir desta quinta-feira.