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Depois de reportagem do Plural, Movimento Brasil Laico protocola denúncia contra Igreja Universal

Representação denuncia "capelães fantasmas", cultos obrigatórios em trocas de plantão e perseguição a policiais que se recusam a seguir ritos religiosos no PR. Denúncias foram destaque em reportagem do Plural.

Depois de reportagem do Plural, Movimento Brasil Laico protocola denúncia contra Igreja Universal
Denúncias trazidas em reportagem do Plural motivaram representação jurídica ao Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR). Foto: Reprodução Facebook UFP-PR

O Movimento Brasil Laico (MBL) protocolou, nesta semana, uma representação jurídica de alto impacto junto ao Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR). O documento exige a interrupção imediata das atividades da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) dentro dos quartéis da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do estado.

Segundo o Movimento, a ação é uma resposta direta às revelações estarrecedoras de uma investigação jornalística do Plural que expôs como o programa "Universal nas Forças Policiais" (UFP) se tornou uma espécie de "capelania paralela" e ilegal. A reportagem denuncia que pastores da denominação possuem livre acesso às unidades militares, participando de ritos oficiais e realizando cultos em horários de serviço, apesar de a própria Polícia Militar admitir que não há um único representante da igreja cadastrado formalmente para tal função.

https://www.plural.jor.br/contrariando-portaria-da-pm-igreja-universal-atua-irregularmente-em-quarteis-do-parana/

O Escândalo dos "Capelães Fantasmas"

Para o Movimento Brasil Laico, o caso ultrapassa a esfera da fé e entra no campo da ilegalidade administrativa. A representação detalha que a PM-PR ignora sua própria norma (Portaria nº 1224/2019), que exige requisitos técnicos e teológicos para o voluntariado religioso.

"Estamos diante de um sequestro institucional. O Estado não pode permitir que civis sem qualquer vínculo jurídico assumam o palanque durante o hasteamento da bandeira para pregar teologias específicas", afirma Leandro Patricio da Silva, Diretor Presidente do MBL. "Isso não é assistência espiritual; é aparelhamento de uma força de segurança que pertence a todos os paranaenses, independentemente de credo."

Coação e "Punições Veladas"

Um dos pontos mais sensíveis da representação é o relato de assédio moral contra os agentes de segurança. Policiais que optam por não participar dos momentos religiosos estariam sendo alvo de represálias disciplinares disfarçadas, como:

- Transferências punitivas para postos de serviço indesejados;

- Alterações arbitrárias em escalas de folga e plantões extra jornada (DEAEV);

- Marginalização hierárquica, onde o "não-crente" é visto como um "adversário espiritual".

O Risco da "Guerra Espiritual"

A denúncia também acende um alerta vermelho sobre a segurança pública. Ao levar para dentro dos quartéis a chamada "Teologia do Domínio", a infiltração religiosa pode comprometer a isonomia das abordagens policiais nas ruas. O MBL argumenta que o treinamento policial não pode ser substituído por uma visão maniqueísta de "combate ao demônio", o que coloca em risco minorias religiosas, a comunidade LGBTQIAP+ e a própria democracia.

Pedidos ao Ministério Público

A representação solicita ao Procurador-Geral de Justiça:

1. A interrupção imediata de cultos e orações em ritos de serviço oficiais;

2. A proibição de eventos militares em sedes da Igreja Universal;

3. Investigação de Improbidade Administrativa contra comandantes que facilitam o acesso irregular de pastores;

4. Garantia de proteção aos policiais que denunciaram o esquema de coação.

"A neutralidade do Estado é a única garantia de que a farda não será usada como instrumento de proselitismo. O Ministério Público tem o dever de restaurar a Constituição nos pátios dos quartéis do Paraná", conclui o texto da representação.

José Pires

José Pires

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura dos povos indígenas do Sul do Brasil; meio ambiente; política; cultura e liberdade religiosa

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