O caminho dos negros no Brasil depois da Lei Áurea jamais foi um mar de rosas. Uma coisa era a proibição da escravidão; outra, bem diferente, era conseguir ser aceito na vida social num país tomado pelo preconceito.
O quarto episódio de Invisíveis conta como, aos poucos, os negros começaram a atravessar as barreiras ocultas que os separavam de seus sonhos. Em três histórias diferentes, o podcast relata a inserção dos negros no mundo do esporte, da universidade, do trabalho, da política e das artes.
A primeira história é a do Britânia, um time de futebol que nos anos 1910 revolucionou o esporte no Paraná ao abrir espaço para trabalhadores. Entre eles, havia negros - que eram recusados em todos os demais times de Curitiba na época.
O resultado foi que o Britânia se tornou virtualmente invencível: hexacampeão entre 1918 e 1923, o time virou uma dor de cabeça para os concorrentes, que se viram quase obrigados a ter de aceitar operários e negros também, sob pena de jamais poderem competir com o Britânia.
A segunda história é a de Enedina Marques Alves, mulher negra que não apenas conseguiu entrar na Universidade Federal do Paraná - numa época em que isso era difícil para mulheres e quase impossível para negros - como ainda se tornou a primeira engenheira negra do Brasil.
Por fim, o episódio conta a vida de Espedito Rocha, um nordestino negro que ao chegar em Curitiba se tornou vereador e fez barulho como sindicalista e comunista. Mais tarde, Espedito ainda se tornaria célebre também por seus dons como artista plástico.
O Invisíveis é o podcast do jornal Plural dedicado a contar a história do povo negro em Curitiba e no Paraná, desde a escravidão até os dias de hoje.
O podcast tem apoio do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e dos escritórios de advocacia Vernalha Pereira, GSG, França da Rocha e Manoel Caetano. Os episódios anteriores estão disponíveis nos principais tocadores.