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MST faz ato em Campo Largo para relembrar assassinato de Antonio Tavares

Ato ocorreu no sábado, dia 2 de maio, em frente ao monumento em memória do agricultor na BR-277

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Agricultores relembram ataque contra trabalhadores | Foto: Murilo Bernardon 
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No último sábado (02) integrantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram ato, em Campo Largo, em memória de Antonio Tavares, agricultor assassinato há 26 anos pelo policial militar Joel de Lima Santa Ana.

Antonio Tavares foi uma das vítimas do “Massacre da 277”, que feriu mais de 200 pessoas. Não houve nenhuma punição para o autor do crime.

Entenda o caso

O crime ocorreu em um contexto de grande violência do governo do Paraná, comandado por Jaime Lerner, contra camponesas e camponeses que lutavam pela Reforma Agrária. Mais de 2 mil militantes Sem Terra seguiam em comboio com dezenas de ônibus, vindos de todas as regiões do estado rumo a Curitiba.

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O objetivo era realizar uma marcha pela Reforma Agrária para celebrar o Dia Internacional do Trabalhador e entregar ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) uma série de reivindicações, entre elas o fim da violência contra as famílias camponesas. Entre 1994 e 2002, durante os mandatos de Jaime Lerner no governo do estado, a Comissão Pastoral da Terra aponta que 16 trabalhadores Sem Terra foram assassinados, 47 sofreram ameaças de morte, 324 ficaram feridos, 502 foram presos, além de 134 despejos violentos no Estado.

A menos de 30 quilômetros do destino, os ônibus foram barrados pela Polícia Militar e impedidos de seguir. A mando de Lerner, a força policial iniciou um verdadeiro massacre com balas de borracha, cavalaria, bombas, cães e até o uso de um helicóptero. Sem ter para onde correr, muitas pessoas tiveram que se esconder no mato próximo à rodovia.

Estado brasileiro condenado

O Estado brasileiro foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em sentença divulgada em março de 2024, pelo assassinato de Antonio Tavares. A Corte reconheceu a intensa violência e a omissão da Justiça brasileira pela morte do camponês e pelas lesões sofridas por cerca de 200 integrantes do MST por parte de agentes da PM.

Diante do arquivamento do caso na Justiça brasileira e da manutenção da impunidade, o caso foi denunciado em 2004 à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Em fevereiro de 2021, o caso foi submetido à Corte Interamericana pelo próprio MST, pela organização Terra de Direitos e pela Justiça Global.

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Tags: Paraná

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