Londrina - As mortes decorrentes de intervenção policial foram a única categoria de violência letal que registrou aumento no Paraná entre 2024 e 2025, na contramão da tendência geral de queda da violência no estado. O número de ocorrências passou de 405 para 426, o que representa um crescimento de cerca de 5%, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
No total, as chamadas mortes violentas — que englobam feminicídios, homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes por intervenção policial e mortes no trânsito — apresentaram redução expressiva de quase 21% no período analisado.
Os dados mostram queda em praticamente todas as demais categorias. Os homicídios dolosos recuaram de 1.554 para 1.167 casos. Os feminicídios passaram de 109 para 87 registros. Também houve redução nos latrocínios, que caíram de 46 para 44, e nas lesões corporais seguidas de morte, que diminuíram de 61 para 45 casos. As mortes no trânsito tiveram queda significativa, de 1.026 para 757 ocorrências.
No próximo mês, o Ministério Público do Paraná (MPPR) deve divulgar seu levantamento próprio sobre as mortes decorrentes de intervenção policial em 2025. Historicamente, os números do MPPR tendem a ser mais elevados do que os divulgados pelo Ministério da Justiça. Em 2024, por exemplo, o Ministério Público contabilizou 413 mortes decorrentes de intervenção policial no estado, enquanto o MJSP registrou 405 ocorrências no mesmo período.
“O Estado celebra a redução dos índices, porém vidas seguem sendo perdidas justamente pelas mãos de quem deveria proteger”, afirma Haydee Melo, do Movimento Justiça Por Almas – Mães em Luto na Luta, que representa familiares de pessoas mortas pela polícia em Londrina e região. “O que precisamos é de uma política de segurança baseada em prevenção, e não em execução, como vem acontecendo”, critica.
Outro lado
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) disse que as “forças de segurança do Estado seguem protocolos rigorosos de treinamento e uso diferenciado da força, com prioridade à preservação da vida”. O uso de arma de fogo, de acordo com o órgão, “ocorre apenas como último recurso, em situações de agressão injusta e iminente contra policiais ou terceiros”.
Na nota, a Sesp também alega que o número de 426 “mortes em confronto” corresponde a menos de 0,6% dos 73.194 suspeitos detidos pelas polícias no Paraná no ano passado, “evidenciando o caráter excepcional dessas ocorrências diante do volume de abordagens”.
“Toda morte decorrente de intervenção policial é apurada com rigor e transparência, com acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário. Ao mesmo tempo, em 2025, o Paraná apresentou os menores números de homicídios, roubos e furtos desde o início da série histórica, em 2007”, diz a Sesp.