No último sábado (01), milhares de pessoas participaram da 1ª Caminhada para os Orixás contra a Intolerância Religiosa em Curitiba. Um grande ato público de celebração da fé, dos modos de vida afro-indígenas e da luta contra o racismo e a intolerância religiosa.
Às 14h, filhos de santo e representantes de terreiros de Curitiba e Região Metropolitana começaram a se reunir na Praça Tiradentes, no Centro da capital. Às 15 h, o cortejo, guiado por um caminhão de som e pelos toques dos atabaques se encaminhou para a Praça Santos Andrade.
Lá, em frente às escadarias da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aconteceu a “Revolta dos Atabaques”, uma intervenção sonora e política de enfrentamento ao silenciamento dos terreiros. Participam grupos como Tambores do Paraná, Bloco Afropretinhosidade, Curimbas e Afoxé Atinsa.
Por fim, a Caminhada seguiu pela Rua Marechal Deodoro para a finalização do ato na Boca Maldita, onde milhares de praticantes de cultos afro-ameríndios se reuniram para homenagear pais e mães de santo e também para conferir shows musicais.
A Caminhada para os Orixás nasceu como um ato de afirmação e preservação das tradições afro-indígenas, reafirmando a presença dos povos de terreiro na formação cultural, histórica e política de Curitiba.
O evento é uma iniciativa do mandato da vereadora Giorgia Prates (PT) com construção coletiva de dezenas de terreiros de Curitiba e Região Metropolitana, unidos pela luta pelo reconhecimento das religiões e saberes afro-indígenas como patrimônio imaterial e cultural da cidade.
A vereadora Giorgia destacou que a Caminhada nasceu do chamado do povo de axé que cansou de ser silenciado. “Tenho atuado em várias frentes para garantir direitos dos povos de terreiro: desde o enfrentamento às dificuldades de liberação de alvarás, à luta com a Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária de Aruanda, até o reconhecimento das contribuições dos povos tradicionais e de terreiro no Plano Diretor de Curitiba — conquista histórica junto ao IPPUC. Além disso, estou propondo o reconhecimento das religiões de matriz afro-ameríndias como patrimônio imaterial cultural da cidade”, disse.

O evento teve foco nas religiões de matriz afro ameríndias. Então, além da intolerância, existiu o aspecto da luta contra o racismo. Não é a primeira iniciativa do tipo em Curitiba, em 2019 aconteceu um evento semelhantes que se estendeu por pelo menos três edições.
Para o coordenador geral do Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana, Baba Flávio Maciel, a Caminhada para os Orixás foi um momento muito especial. “Caminhar pelas ruas de Curitiba com nossos tambores, nossos cânticos e nossas crianças foi afirmar que os povos de terreiro estão vivos, presentes e cheios de amor pela sua fé. Mas também foi um ato político, de enfrentamento ao racismo religioso e à invisibilidade que sofremos há tanto tempo”, destacou.