Integrantes de movimentos sociais e familiares de Rodrigo da Silva Boschen, morto por funcionários terceirizados do Muffato na última quinta-feira (19), fizeram um protesto na noite desta quarta-feira (25) no supermercado, no bairro Portão, em Curitiba. Eles fecharam os caixas por cerca de 15 minutos para pedir justiça e o fim da violência. O jovem de 22 anos teria sido morto com um golpe conhecido como mata-leão, por supostamente furtar um chocolate. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.
O pai de Rodrigo, Ronaldo Boschen, de 48 anos, disse que a família só soube da morte na tarde de segunda-feira. “A gente estava procurando, mas jamais imaginava que ia acontecer uam coisa dessa”, afirmou. Segundo ele, a investigação ainda não conseguiu apurar se Rodrigo realmente tinha cometido furto. “Conversei com o delegado na segunda-feira, ele falou que não tem prova de que ele pegou alguma coisa. Não tem imagem dele pegando”. “
“Eu quero justiça. Independente de ele ter pegado alguma coisa, não é assim que resolve as coisas. Não são eles quem decide quem morre ou quem vive”.
Ronaldo Boschen, pai de Rodrigo Boschen
O irmão de Rodrigo, Victor Boschen, de 15 anos, disse que a família não saberia da morte se a ação dos terceirizados não tivesse sido filmada por um motoboy. “Ele teria sido enterrado como indigente. Ele foi morto no feriado e a gente só ficou sabendo segunda-feira. Se o motoboy não tivesse gravado o vídeo a gente não ia saber nem que ele estava morto. Muitos parentes meus viram a notícia e nem sabiam que era meu irmão”.
O deputado estadual Renato Freitas (PT) esteve no ato e falou com clientes que estavam na fila – a grande maioria ouviu e não reclamou. “Pra quem não tem coração, tem um gelo no peito, a gente vai derreter. Nós estamos em luta, não estamos fazendo teatro, não estamos em eleição para ganhar votos. É por isso que nós estamos travando os caixas do mercado, não para incomodar nos 15 minutos de fila. É que tem um corpo no caminho, tem sangue no produto, tem uma mãe de luto na fila”.
A vereadora Professora Angela (PSOL) pediu a responsabilização do estabelecimento. “”Esse mercado tem as mão sujas de sangue. Esse crime não é isolado, ele faz parte de um sistema que insiste em privilegiar os ricos e insiste em criminalizar os pobres. Quantos mais vão ter que morrer para esse sistema parar de moer a nossa gente? Poderia ser meu filho, o irmão de cada um que está aqui. A reposta tem que vir das ruas”.
Sinais de tortura
Rodrigo teria sido perseguido por dois trabalhadores do Muffato (um deles terceirizado) após deixar o supermercado. Já na rua, teria sido perseguido por um homem de moto, que passou a agredi-lo. Em seguida, um motoboy filmou três pessoas carregando um homem desacordado. O grupo conversou entre si e pelo radiocomunicador. A conversa eguiu com menções a um golpe mata-leão e a uma pedrada. O corpo foi abandonado na rua.
O advogado da família de Rodrigo, Leonardo Mestre, disse que ele estava com os pés amarrados e que o corpo apresentava sinais de tortura. "O corpo da vítima foi encontrado com os pés amarrados, apresentando inequívocos sinais de tortura, bem como múltiplas lesões decorrentes de agressões físicas, em número e intensidade significativamente superiores aos relatos previamente divulgados. Tais elementos reforçam a brutalidade e a covardia do crime perpretado".