A vereadora do NOVO, Indiara Barbosa, comemorou ter sido vacinada no último fim de semana de 17 de julho agradecendo aos profissionais de Saúde e ao capitalismo. O post no Instagram acabou atraindo fãs e detratores, com várias agressões à parlamentar em mais um daqueles exemplos de como as redes sociais são péssimos espaços para o debate público.
Óbvio que o Plural condena toda e qualquer agressão à vereadora, muitas das quais têm aquele componente misógino tão frequentemente direcionado a mulheres na política. Debate e questionamento não se faz com o tacape na mão, muito menos desprezando o interlocutor. A falta de respeito, no entanto, começou com Indiara.
Não estamos num processo de desmonte ou extinção do capitalismo. A comemoração da parlamentar poderia ter sido muito bem um viva a descoberta do fogo, a invenção da roda, a chegada do homem à Lua, a invenção do motor à combustão.
Mas claro, não foi. Foi uma contraposição a quem diz Viva o SUS! no que, me parece, ser claramente um momento de falta de bom senso e despropósito da parlamentar. Porque , claro, temos liberdade para comemorar o que for, mas a civilidade, especialmente daqueles com formação acadêmica, educação familiar e oportunidades sociais, nos ensina a usar essa liberdade com parcimônia.
O Viva o SUS não é um ataque a nada. É um grito de desabafo de uma nação que vela seu seus mortos. Mortos cujas vidas foram perdidas para uma doença evitável.
A democracia tem uma liturgia que reserva a momentos de tristeza um silêncio educado, um adiamento de embates. Claro, essa liturgia, já pouco observada na democracia brasileira, se perdeu totalmente nos últimos anos.
Mas confesso que esperava de Indiara e de outros novos parlamentares uma camada de civilidade um pouco mais significativa. No entanto, nessa oportunidade, a vereadora achou aceitável usar a pandemia, com todos seus mais de 500 mil mortos no país, como fundo para uma lacração juvenil em rede social. E em nome do quê? O que exatamente a parlamentar estava defendendo?
É o SUS uma contraposição ao capitalismo, vereadora? Descansa militante.
O SUS não é do PT, do PSDB, da direita ou da esquerda. O SUS é um patrimônio do país, o maior sistema público de saúde do mundo. As pessoas celebram o SUS, Indiara, porque neste momento de grave crise, foi ele que esteve ao lado dos brasileiros, todos os brasileiros. E muitos dos seus servidores ficaram pelo caminho.
A vacinação é um momento de grande alegria. É uma luz no fim do túnel. Mas é também um lembrete de quantos desafios temos pela frente. É uma pena que a parlamentar tenha aproveitado para insistir numa dicotomia ideológica tola, numa militância vazia e sem sentido. A cidade, vereadora, merecia mais respeito de quem a representa.