A Superintendência do Ibama no Paraná emitiu nota negando ter culpa no atraso das obras da represa do Miringuava e dizendo que a demora se deve à "inépcia" da Sanepar. A nota é uma resposta a uma declaração publicada pela Sanepar nesta semana, após 80 bairros de Curitiba e região metropolitana ficarem sem água na véspera de Natal. Na nota, a Sanepar dizia que em parte a falta de água se devia a um suposto atraso de dois anos na anuência do Ibama para as obras da represa.
A represa do Miringuava é uma obra iniciada pela Sanepar em 2015. O reservatório do Miringuava será a quinta área de reserva de água potável para o sistema e terá capacidade para armazenar até 38,2 bilhões de litros, com potencial para atender, sozinha, 650 mil pessoas", dizia o texto da companhia.
O Ibama afirma na resposta que o licenciamento ambiental da Represa de Miringuava "é conduzido pelo Instituto Água e Terra (IAT), autarquia vinculada ao Governo do Estado do Paraná, razão que o IBAMA não interfere nas ações e atribuições do órgão estadual", afirma Ralph de Medeiros Albuquerque, superintendente do Ibama no Paraná.
O Ibama afirma ter emitido a anuência necessária ainda em 2024. "Eventuais atrasos à época se deram porque a Sanepar insistia em apresentar estudos incompletos e inconclusivos. Saneadas tais omissões, imediatamente a anuência foi aprovada e emitida", afirma o texto.
"Em que pese o Ibama-PR ser solidário com as milhares de famílias e domicílios que se encontram sem o recurso básico para higiene, saúde e a vida - a água-, a sociedade paranaense sofre pela inépcia da Sanepar e do Governo do Estado que, respectivamente, privilegiam o pagamento de dividendos a acionistas em detrimento do planejamento necessário diante de um reiterado e reconhecido cenário de crise climática em que ondas de calor e outros extremos são a realidade, não meros prognósticos", diz o texto