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Só 16 de 136 hotéis respondem a pesquisa sobre falta de mão de obra em Foz

Enquanto hotelaria registra ocupação recorde, setor evita debate sobre crise de retenção de trabalhadores e fim da escala 6x1

Só 16 de 136 hotéis respondem a pesquisa sobre falta de mão de obra em Foz
68,8% dos hotéis participantes relataram queda na qualidade do atendimento aos hóspedes. Foto: Arquivo Sindhoteis

Apenas 16 dos 136 meios de hospedagem identificados em Foz do Iguaçu responderam a uma pesquisa acadêmica sobre escassez de mão de obra na hotelaria local. Outros 120 empreendimentos ignoraram o questionário aplicado entre agosto e setembro de 2025, mesmo após contatos por e-mail, WhatsApp e telefone.

A baixa adesão repercute no momento em que Foz do Iguaçu registra recordes históricos de ocupação hoteleira e o debate sobre o fim da escala 6x1 avança no Congresso Nacional.

Publicado em novembro de 2025 na RevistaFT, o estudo “Hotelaria em alerta: falta de mão de obra em Foz do Iguaçu” ouviu majoritariamente gerentes gerais, proprietários, profissionais de Recursos Humanos e um representante sindical do setor.

Trabalhadores operacionais da hotelaria, como camareiras, recepcionistas, cozinheiros, garçons e equipes de limpeza, não participaram da pesquisa.

Entre os fatores apontados pelos entrevistados para a escassez de trabalhadores, 68,8% citaram falta de qualificação profissional. Outros 50% apontaram baixos salários e benefícios insuficientes, enquanto 37,5% mencionaram condições de trabalho pouco atrativas. A alta rotatividade apareceu em 31,3% das respostas.

A escala 6x1 também aparece formalmente no levantamento: 37,5% dos entrevistados associaram a jornada tradicional da hotelaria à dificuldade de retenção de trabalhadores.

Falta de trabalhadores já afeta operação dos hotéis

A escassez de trabalhadores já produz efeitos diretos sobre a operação da hotelaria em Foz do Iguaçu. Entre os entrevistados, 68,8% relataram queda na qualidade do atendimento aos hóspedes, 56,3% apontaram sobrecarga das equipes e 43,8% citaram atrasos operacionais. Outros 25% afirmaram que a falta de funcionários já provoca perda de reservas e oportunidades de negócio.

Em 2026, a rede registrou a maior ocupação já contabilizada para abril pela Secretaria Municipal de Turismo, com média de 73,43%. Durante o feriado de Tiradentes, a ocupação chegou a 92%. No feriado do Dia do Trabalhador, os hotéis alcançaram 85% de ocupação consolidada, acima da projeção inicial do setor.

Hotelaria admite desgaste da escala 6x1

Em entrevista à reportagem, o Sindhotéis confirmou que áreas como recepção, governança, cozinha, camareiras e serviços gerais enfrentam escassez de trabalhadores e aumento de afastamentos médicos.

A entidade patronal também declarou que uma eventual redução da jornada semanal para 40 horas exigiria ampliação mínima de 20% no quadro de funcionários para manter a operação contínua da hotelaria.

O Sindicato dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade de Foz do Iguaçu (STTHFI) relaciona a dificuldade de retenção aos baixos salários, ao trabalho em finais de semana e feriados e à jornada semanal de 44 horas. Segundo a entidade, o piso inicial da categoria está em R$ 2.190.

A Câmara dos Deputados prevê para esta segunda-feira (25) a apresentação do relatório da PEC 221/2019, que trata da redução da jornada semanal e do fim da escala 6x1.

A votação na comissão especial está prevista para o dia 27. Na última quinta-feira (22), durante audiência pública na Câmara, o relator da proposta, deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou acreditar que a mudança deverá ser aprovada ainda em 2026.

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